O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Edson Fachin, a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O aparelho está sob a guarda do gabinete do ministro André Mendonça e reúne informações que serviram de base para um relatório da Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
A iniciativa de Zanin ocorre a poucos dias da sessão marcada para terça-feira (15), quando o STF deverá analisar a validade do relatório policial que aponta uma possível relação entre Vorcaro e Moraes. O pedido acrescenta pressão sobre Mendonça em meio a questionamentos de outros ministros sobre a forma como os procedimentos do caso vêm sendo disponibilizados dentro da Corte.
Na quinta-feira, Fachin determinou que Mendonça compartilhasse com os demais ministros os procedimentos relacionados ao caso Master e ordenou a retirada do sigilo das investigações. A decisão preservou apenas informações que precisassem permanecer reservadas para não comprometer diligências ainda em andamento.
Mendonça liberou parte do conteúdo, mas manteve documentos e algumas frentes investigativas sob sigilo. Nesta sexta, Moraes reclamou diretamente a Fachin da forma como a determinação foi cumprida. Segundo ele, houve uma “escolha seletiva” dos documentos.
Moraes afirma que 180 peças e arquivos digitais de cinco procedimentos continuam inacessíveis e sustenta que a ausência desse material prejudica a análise do caso pelo plenário. O ministro pediu a retirada completa do sigilo.
É nesse ambiente de cobrança que Zanin solicitou a Fachin que seja colocado em um HD todo o conteúdo de uma mídia examinada pela Polícia Federal e que permanece à disposição do gabinete de Mendonça.
A mídia contém dados extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido durante a investigação de Vorcaro. Parte das informações foi utilizada na elaboração do laudo da PF que está no centro da controvérsia.
Zanin não quer apenas os elementos aproveitados pelos investigadores no relatório. No ofício, pede a “íntegra da mídia referenciada”, para que possa examinar o conteúdo original antes da sessão de terça-feira.
A discussão ocorre enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) defende a anulação do relatório da PF que atribui a Moraes conversas com Vorcaro.
Moraes, por sua vez, quer que o STF aproveite a mesma sessão para analisar informações relacionadas à atuação de Mendonça nas investigações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Para ele, os dois casos estão relacionados e não deveriam ser examinados separadamente.
O ministro também defende a abertura integral dos documentos e pediu que integrantes da Corte citados nas investigações tenham oportunidade de prestar esclarecimentos.
A sequência de decisões e reclamações colocou Mendonça sob crescente escrutínio dos próprios colegas. Não há, até o momento, conclusão de que o ministro tenha cometido irregularidade, mas a cobrança de Fachin, a contestação de Moraes e agora o pedido de Zanin evidenciam o desconforto de parte do Supremo com a maneira como o conteúdo da investigação vem sendo administrado.




