Há editoriais que chamam atenção não apenas pelo conteúdo, mas por quem os assina. O texto publicado hoje pelo Estadão sobre Flávio Bolsonaro é um desses casos. Um jornal historicamente identificado com o campo liberal-conservador decidiu fazer uma das críticas mais severas já dirigidas ao candidato, centrada em suas relações políticas com personagens ligados às milícias do Rio de Janeiro.
O jornal sustenta que a questão vai muito além da legalidade formal de uma emenda parlamentar. O ponto central é a necessidade de explicações sobre a proximidade entre integrantes do gabinete de Flávio Bolsonaro e Robson Calixto, o “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Ao recuperar episódios antigos envolvendo manifestações de Flávio sobre milícias, homenagens a integrantes desses grupos e vínculos políticos questionados ao longo de sua trajetória, o editorial argumenta que não se trata de um fato isolado, mas de um histórico que, na avaliação do jornal, merece atenção do eleitorado.
É justamente por isso que o trecho final do editorial ganha tanto peso. O Estadão escreve:
“Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.”