Após derrota no Brasileiro, Cruz-Maltino apresenta força ofensiva no Paraguai, avança às quartas da Sul-Americana e repete feito que não acontecia desde 2012
O Vasco encontrou no Paraguai a resposta que precisava depois de uma semana marcada pela pressão. Na noite de quinta-feira (20), o Cruz-Maltino venceu o Olimpia por 4 a 1, no Defensores del Chaco, e garantiu a classificação para as quartas de final da Copa Sul-Americana. A atuação serviu também para devolver confiança ao elenco justamente às vésperas do aniversário de 128 anos do clube, celebrado nesta sexta-feira.
Mais do que a vaga, o resultado teve peso pelo desempenho ofensivo. Depois de enfrentar dificuldades para transformar volume de jogo em gols, o Vasco voltou a ser eficiente e encontrou espaços para construir uma goleada fora de casa.
A atuação, naturalmente, precisa ser analisada levando em consideração o nível apresentado pelo Olimpia. O tradicional clube paraguaio, tricampeão da Libertadores e campeão mundial, esteve distante de suas melhores versões. Ainda assim, o Vasco mostrou maturidade para controlar o confronto, reagir ao gol sofrido e aproveitar as oportunidades criadas.
A necessidade de voltar a marcar era evidente. Nos cinco compromissos anteriores, o time havia passado quatro partidas sem balançar as redes, cenário que aumentava a pressão sobre o trabalho de Pedro Emanuel, principalmente diante da situação delicada no Campeonato Brasileiro.
Contra o Olimpia, porém, a história foi diferente.
O Vasco já começou buscando o ataque e teve uma oportunidade clara logo aos seis minutos, quando Andrés Gómez ficou frente a frente com o goleiro, mas não conseguiu concluir da melhor maneira. O desperdício não abalou a equipe.
Pouco depois, Matus colocou os donos da casa em vantagem. O gol, no entanto, não alterou o controle exercido pelo time brasileiro. Ainda no primeiro tempo, Thiago Mendes, um dos grandes nomes da partida, empatou e David virou o placar.
A partir daí, o Vasco ganhou ainda mais confiança. Se a primeira etapa teve momentos de equilíbrio, o segundo tempo foi praticamente dominado pelo Cruz-Maltino. Com menos necessidade de assumir a iniciativa e mais espaço para explorar os contra-ataques, a equipe encontrou o cenário ideal para acelerar as jogadas.
Adson ampliou a vantagem, e Spinelli marcou o quarto gol. O placar poderia ter sido ainda maior, já que o Vasco voltou a desperdiçar algumas chances claras.
A classificação também encerra um longo jejum internacional. O Vasco não chegava às quartas de final de uma competição continental desde 2012, quando disputou a Libertadores. Naquele ano, o time caiu diante do Corinthians após empate sem gols em São Januário e derrota por 1 a 0 no Pacaembu.
Em 2011, o Cruz-Maltino havia ido ainda mais longe. Na Copa Sul-Americana, alcançou as semifinais, mas acabou eliminado pela Universidad de Chile depois de empatar por 1 a 1 no Rio de Janeiro e perder por 2 a 0 em Santiago.
Agora, o Vasco volta a figurar entre os oito melhores de um torneio internacional e espera o vencedor do confronto entre River Plate e Independiente Santa Fe para conhecer seu próximo adversário na Sul-Americana.
O bom momento nas copas não se limita ao torneio continental. Na Copa do Brasil, o clube também está nas quartas de final. O adversário será o Vitória, com o primeiro duelo previsto para a próxima quarta-feira (26), no Maracanã ou em São Januário, e a partida de volta no Barradão, em Salvador.
O desempenho recente na competição nacional reforça a capacidade do Vasco de competir em mata-matas. Em 2024, o time voltou a alcançar uma semifinal da Copa do Brasil depois de 13 anos sem chegar às quartas, mas acabou eliminado pelo Atlético-MG. No ano seguinte, avançou até a decisão e terminou como vice-campeão diante do Corinthians.
A temporada de 2026 coloca o clube novamente entre os oito melhores da Copa do Brasil e, agora, também nas quartas da Sul-Americana.
É um feito que ganha ainda mais significado porque o Vasco só havia conseguido alcançar simultaneamente as quartas de final de uma competição da Conmebol e da Copa do Brasil em outras duas temporadas: 1998 e 2011. Nas duas ocasiões, o clube terminou o ano levantando um título.
A goleada no Paraguai, portanto, recoloca o Vasco no caminho das grandes noites de mata-mata. Mas o resultado não elimina os problemas do Campeonato Brasileiro. Pelo contrário: é justamente na competição nacional que está a maior urgência do momento.
No próximo domingo, o Cruz-Maltino terá pela frente o Palmeiras, líder do Brasileirão, fora de casa. Em situação pressionada pela proximidade da zona de rebaixamento, o Vasco precisa pontuar em São Paulo.
A boa atuação diante do Olimpia chega, assim, em um momento estratégico. Mais do que garantir uma vaga nas quartas de final, a equipe de Pedro Emanuel ganhou uma dose importante de confiança e mostrou que ainda pode competir por conquistas em duas frentes.
Para um clube que completa 128 anos, a classificação internacional veio como um presente. E, sobretudo, como um sinal de que a temporada ainda pode reservar capítulos muito diferentes daqueles sugeridos pela crise no Campeonato Brasileiro.




