Donald Trump transformou o primeiro dia da convenção republicana em Dallas, no Texas, em uma demonstração de força política com foco nas eleições de meio de mandato. A principal promessa, porém, ultrapassou o discurso tradicional de campanha: o presidente dos Estados Unidos afirmou que pretende pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso os eleitores mantenham os republicanos no comando das duas casas do Congresso.
A proposta foi apresentada durante um discurso de quase duas horas, marcado por temas recorrentes da agenda de Trump, ataques à oposição, críticas à imprensa e declarações sobre imigração, economia e política externa. O presidente havia prometido que a convenção seria diferente de qualquer outra, mas sua fala acabou reproduzindo boa parte da retórica que costuma apresentar em seus comícios.
A promessa financeira também levanta dúvidas sobre sua legalidade e sobre a origem dos recursos. Considerando o número de adultos nos Estados Unidos, o programa poderia ultrapassar US$ 1 trilhão em despesas. O anúncio ocorre justamente quando a dívida americana já superou US$ 40 trilhões, segundo o Departamento do Tesouro.
Trump estabeleceu ainda uma condição para o eventual pagamento: os recursos deveriam ser gastos dentro dos Estados Unidos, em uma referência à guerra comercial travada por seu governo com o Canadá.
Trump tenta transformar eleição em plebiscito
Embora não seja candidato nas eleições de 3 de novembro, quando toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado serão renovados, Trump decidiu colocar sua própria imagem no centro da disputa.
O presidente pediu aos republicanos que tratassem a eleição como se ele próprio estivesse na cédula. Também destacou a existência de 35 disputas consideradas cruciais para o controle do Congresso e defendeu uma vitória republicana em todas elas, comparando o desafio ao desempenho obtido nos sete estados decisivos na eleição presidencial de 2024.
A ofensiva ocorre em um momento complicado para o Partido Republicano. Pesquisas vêm apontando dificuldades para a legenda nas eleições de meio de mandato, tradicionalmente desfavoráveis ao partido que ocupa a Casa Branca.
A tentativa de Trump de transformar a convenção em uma demonstração de força também encontrou resistência entre candidatos republicanos. Dezenas de nomes que disputam cadeiras em distritos competitivos decidiram não comparecer ao evento, numa tentativa de evitar que a associação com o presidente prejudicasse suas campanhas.
Trump voltou ao palco na quinta-feira para encerrar a convenção.
Discurso retoma temas tradicionais
Ao longo da fala, Trump voltou a defender sua política de combate à imigração ilegal na fronteira com o México e insistiu em sua retórica contra o comunismo. Também atacou a imprensa, retomou a falsa alegação de que venceu a eleição presidencial de 2020 e voltou a defender a ideia de mudar o nome do estado do Novo México para Nova América.
O presidente dedicou parte considerável do discurso à própria popularidade e ao tamanho de suas plateias. Afirmou que o estádio estava lotado e que havia quantidade semelhante de pessoas do lado de fora esperando uma oportunidade para entrar.
As imagens do evento, contudo, mostravam setores superiores das arquibancadas parcialmente vazios. Os corredores também estavam apenas parcialmente ocupados depois de uma maratona de discursos que durou aproximadamente sete horas antes da entrada de Trump.
Mais tarde, o presidente afirmou que ninguém havia deixado o estádio durante sua fala, embora imagens também contradissessem essa afirmação.
Trump exalta economia apesar da pressão sobre preços
Na área econômica, Trump apresentou uma avaliação extremamente positiva de sua administração. Segundo ele, os dois primeiros anos de seu governo estariam entre os períodos de maior sucesso da história presidencial americana, inclusive financeiramente.
O cenário, porém, é pressionado pelo custo de vida elevado, pelo aumento dos preços da gasolina e pela continuidade da guerra com o Irã. Esses fatores vêm afetando a popularidade do presidente.
No encerramento, o presidente voltou a prometer um futuro de maior riqueza, segurança e poder para os Estados Unidos. A programação musical incluiu YMCA, do Village People, antes da apresentação do tenor presidencial Christopher Macchio.




