O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou que o Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu (TDL Pesquisa) apresente, no prazo de 24 horas, documentos que comprovem a regularidade da contratação e do pagamento da pesquisa eleitoral registrada sob o número AL-04608/2026. A decisão foi tomada após a empresa RB Dantas Ltda., apontada como contratante do levantamento, divulgar nota negando qualquer participação na pesquisa.
A medida foi determinada na sexta-feira (26) pelo juiz auxiliar da Propaganda Eleitoral, desembargador eleitoral Leo Dennisson Bezerra de Almeida, no âmbito de representação apresentada pelo MDB. O partido levou ao processo a manifestação pública da empresa, que afirma não ter contratado a pesquisa, não ter autorizado a emissão da nota fiscal vinculada ao levantamento e não ter realizado qualquer pagamento pelo serviço.
Segundo o magistrado, os novos elementos apresentados possuem relevância porque dizem respeito a informações obrigatórias do registro da pesquisa, como a identificação do contratante, a origem dos recursos utilizados, o responsável pelo pagamento e a documentação fiscal que dá suporte ao levantamento.
Apesar disso, o desembargador decidiu não suspender a divulgação da pesquisa neste momento. Na decisão, observou que o levantamento já havia sido tornado público e que a empresa responsável pelo registro ainda não teve oportunidade de se manifestar sobre as alegações.
Por esse motivo, o TRE-AL determinou que a TDL Pesquisa apresente, em até 24 horas, o contrato de prestação de serviços, caso exista; documento que comprove autorização da RB Dantas Ltda. para contratação da pesquisa ou para emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica nº 68; comprovante de pagamento ou documento que demonstre a origem dos recursos utilizados; além de esclarecimentos sobre a nota pública divulgada pela empresa apontada como contratante.
Encerrado o prazo, o processo retornará ao relator, que decidirá sobre o pedido de tutela de urgência formulado pelo MDB.
Pesquisa atribui custo de R$ 47 mil à RB Dantas
Divulgada pelo portal Poder360, a pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre os dias 20 e 22 de junho de 2026. O levantamento informa margem de erro de 2,7 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o número AL-04608/2026.Ainda segundo a publicação, o estudo teve custo declarado de R$ 47 mil, valor informado como tendo sido pago pela RB Dantas Ltda./Coagro.
A TDL Pesquisa pertence ao empresário Tadeu Lira, primo do deputado federal Arthur Lira (PP). O levantamento apontou o ex-prefeito de Maceió, JHC, na liderança da disputa pelo Governo de Alagoas.
Empresa afirma que nunca contratou a pesquisa
Na nota divulgada após a publicação do levantamento, a RB Dantas afirma que jamais contratou a pesquisa e sustenta que seu nome foi utilizado sem autorização.
A empresa reconhece que manteve relação comercial com a TDL Pesquisa em eleições anteriores, mas afirma que todos os contratos foram encerrados e que não existe qualquer vínculo vigente que justificasse a utilização de seus dados cadastrais.
Outro ponto central da manifestação é a contestação da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica nº 68. A RB Dantas afirma que o documento foi emitido sem autorização, sem contrato e sem prestação de serviço, acrescentando que não reconhece o faturamento, não recebeu o serviço descrito e não realizou nem realizará qualquer pagamento relacionado ao levantamento.
Na avaliação da empresa, a emissão da nota fiscal nessas condições representa uma grave irregularidade de natureza fiscal, mercantil e civil.
Medidas administrativas, judiciais e criminais
A RB Dantas informou que seu departamento jurídico já iniciou uma série de providências para contestar o uso de seu nome.
Entre elas estão o pedido de cancelamento da nota fiscal junto à Prefeitura de Maceió, a notificação extrajudicial à TDL Pesquisa para esclarecer quem solicitou a realização da pesquisa, quem autorizou a emissão da nota fiscal em nome da empresa e quem efetuou o pagamento do serviço.
A empresa também anunciou o registro de boletim de ocorrência para apuração de possíveis crimes cibernéticos, fiscais e de falsidade ideológica, além da comunicação do caso ao TRE-AL e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).Ao final da nota, a RB Dantas afirma que buscará a responsabilização civil, administrativa e criminal dos envolvidos e defende a apuração rigorosa dos fatos.




