Imagem aérea mostra o shopping Aeon Mall em Kashima. Foto: Kyodo via REUTERS Reprodução:g1
Um terremoto de magnitude preliminar 7,1 atingiu a província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), provocando destruição, interrupção de serviços essenciais e uma ampla mobilização das autoridades. O tremor deixou milhares de imóveis sem energia elétrica, comprometeu o transporte terrestre e aéreo e levou à retirada preventiva de mais de 150 mil pessoas.
O governo japonês informou que equipes de resgate seguem avaliando a dimensão dos estragos e o número de vítimas. Há confirmação de pessoas feridas, além de registros de incêndios, danos em rodovias e pontes e desabamentos de edificações. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que o levantamento dos impactos ainda está em andamento.
Imagens exibidas pela emissora pública NHK mostram prédios em chamas ou parcialmente destruídos, grandes rachaduras em vias, incluindo uma rodovia elevada, além do descarrilamento de um trem de carga. O forte abalo também provocou o colapso de uma ponte rodoviária e de pelo menos outro edifício na região.
Um dos episódios mais graves ocorreu em um shopping center de Kumamoto, onde uma explosão foi seguida pelo desabamento parcial do segundo andar do prédio. As autoridades ainda tentam determinar quantas pessoas ficaram presas nos escombros. Segundo a NHK, cerca de 50 pessoas ficaram feridas no local. Inicialmente, a polícia informou que nove pessoas estavam desaparecidas, mas o governo ressaltou que os números ainda podem ser alterados à medida que as buscas avançam.
Em razão dos riscos, a Agência Meteorológica do Japão (JMA) alertou que novos tremores de grande intensidade podem ocorrer ao longo da próxima semana. O órgão também chamou atenção para o aumento do risco de deslizamentos de terra nas áreas mais afetadas.Logo após o terremoto, o governo emitiu alertas para as prefeituras de Kumamoto, Nagasaki, Kagoshima, Fukuoka, Saga, Oita e Miyazaki. Também foi divulgado um alerta de tsunami para ondas de até um metro de altura, posteriormente cancelado após novas avaliações.
Os impactos atingiram diversos setores da infraestrutura. A Kyushu Electric Power informou que aproximadamente 40 mil residências ficaram sem fornecimento de energia elétrica. A operadora ferroviária JR Kyushu suspendeu a circulação de seus serviços, incluindo os trens-bala de alta velocidade, enquanto o aeroporto de Kumamoto fechou sua pista, obrigando companhias aéreas a cancelar ou desviar voos.
As operadoras de telefonia KDDI e Docomo registraram interrupções nos serviços de comunicação devido aos cortes de energia e aos danos na rede de transmissão.O terremoto também afetou grandes empresas instaladas na região. A fabricante de semicondutores TSMC retirou funcionários de sua unidade por medida de segurança, enquanto a Sony informou que acompanha a situação em sua fábrica localizada na área atingida.
Apesar da intensidade do abalo, a autoridade reguladora nuclear do Japão informou que não foram identificadas irregularidades nas usinas nucleares localizadas na região.O Japão é considerado um dos países com maior atividade sísmica do planeta. Situado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, concentra aproximadamente 20% dos terremotos de magnitude igual ou superior a 6,0 registrados no mundo. Em média, o arquipélago registra um tremor perceptível a cada cinco minutos, o que levou o país a desenvolver um dos mais avançados sistemas de monitoramento e resposta a desastres naturais.




