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Se eu for antes de você

Uns dizem que foi Vinicius de Moraes que, como sempre, colocou no mundo esta poesia pura, que diz muito sobre a vida antes e depois da passagem para outra dimensão (como o ator Rolando Boldrin); outros, afirmam que foi o padre Zezinho que, num lampejo de glória, escreveu o poema que ilustra o artigo, o nome e sua essência. Para mim, independente do autor, o poema a seguir poderia ser a lápide de qualquer um. A minha, sem dúvida:

“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. 
Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. 
Se não quiser chorar, não chore. 
Se não conseguir chorar, não se preocupe. 
Se tiver vontade de rir, ria.
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. 
Se me elogiarem demais, corrija o exagero. 
Se me criticarem demais, defenda-me. 
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. 
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. 
Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles.
Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. 
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: 
– Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!’ 
Aí, então derrame uma lágrima. 
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. 
E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. 
Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. 
E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas? 
Sim? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. 
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. 
Eu não vou estranhar o céu. Sabe por quê? Porque ser seu amigo já é um pedaço dele!”

Basta isto, somente isto para que eu continue feliz onde estiver. Nada mais será preciso. Este poema de autoria do padre Zezinho ou de Vinicius de Moraes, não importa, serve-me muito de um breve adeus. Até uma outra dimensão.

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