Durante sabatina da TV Pajuçara, o candidato ao governo de Alagoas, Renan Filho, foi questionado sobre a taxa de analfabetismo no estado, que chegou a 14,2% em 2024 entre pessoas com 15 anos ou mais, segundo dados do IBGE. O índice é o maior registrado no país.
Ao responder, Renan Filho afirmou que o dado precisa ser analisado também sob uma perspectiva geracional. Segundo ele, a maior parte da população analfabeta está concentrada entre pessoas mais velhas, resultado de um histórico de exclusão educacional em Alagoas.
“Taxa de analfabetismo significa o quê? Quem não estudou no passado. Alagoas deixou o povo fora da sala de aula durante muito tempo, resquício da Casa Grande e senzala, resquício da monocultura da cana-de-açúcar, que empregava as pessoas sem qualquer nível de escolaridade.”
O candidato afirmou que a realidade educacional do estado mudou e destacou que, atualmente, as crianças e os jovens estão mais inseridos no sistema de ensino.
“Hoje não há mais isso. Hoje a gente não tem ninguém fora da sala de aula.”
Segundo ele, quando os números são observados de acordo com a idade, há uma concentração significativa entre pessoas de 50, 60 e 70 anos.
Na avaliação do candidato, os indicadores relacionados ao fluxo escolar mostram uma evolução mais recente da educação alagoana.
“Quando a gente olha um outro dado, que é o fluxo do aluno que está na sala de aula, Alagoas é hoje o estado que mais melhorou em educação do Brasil. Isso é muito forte.”
Entre as ações citadas durante a sabatina, Renan Filho destacou a expansão das escolas em tempo integral, os avanços na alfabetização na idade certa e a construção de creches. Ele afirmou que Alagoas possui atualmente um dos maiores programas de creches do país e mencionou a construção de 100 unidades.
O candidato também citou o Cartão Escola 10 como uma das políticas voltadas à permanência dos estudantes no ensino médio. Segundo ele, o programa contribuiu para aumentar em 40% as novas matrículas na etapa de ensino sob responsabilidade do Estado.
Renan Filho comparou ainda os números de conclusão do ensino médio antes e depois de sua gestão. De acordo com ele, quando assumiu o governo, Alagoas registrava aproximadamente 18 mil concluintes do segundo grau por ano. Atualmente, esse número teria chegado a 30 mil.
Apesar dos avanços apontados, o candidato reconheceu que reduzir o analfabetismo entre adultos representa um desafio.
“O analfabetismo geracional é difícil de ser atacado, porque como é que você ensina uma pessoa já mais velha a ler, se ela não vai ter, ou vai ter mais dificuldade de ganhar, de ter renda a mais por isso?”
Para enfrentar esse problema, Renan Filho afirmou que pretende ampliar as oportunidades para adultos que desejam retornar aos estudos.
“O que eu preciso fazer? Garantir oportunidade para quem quer voltar a estudar, mesmo sendo adulto. Nós vamos trabalhar nessa direção.”
Ao mesmo tempo, ele defendeu que a prioridade deve estar na prevenção da reprodução desse cenário entre as novas gerações.
“Mas, sobretudo, garantir a emancipação daqueles que geracionalmente podem ser emancipados, pagando uma dívida social do passado.”
Renan Filho também relacionou as novas tecnologias às mudanças na forma de comunicação e aos processos de alfabetização. Citou o uso de aplicativos de mensagens e ferramentas de inteligência artificial como elementos que, na sua avaliação, podem contribuir para estimular crianças e jovens a desenvolver a leitura e a escrita.
“Hoje em dia, você sabe que as novas tecnologias, o WhatsApp, inteligência artificial, isso ajuda muito a alfabetizar a criança na idade certa, porque ninguém aguenta ouvir um áudio de cinco minutos.”
O candidato afirmou, porém, que a educação não deve se limitar à alfabetização tradicional. Para ele, a escola precisa contribuir também para a construção de perspectivas para o futuro.
“A gente não precisa só ensinar a escrever hoje, a gente precisa ensinar a escrever, a gente precisa defender um projeto de vida, a gente precisa auxiliar a família.”
Cartão Escola Mil
Como parte dessa proposta, Renan Filho anunciou durante a sabatina a criação do Cartão Escola Mil, voltado aos estudantes do ensino médio. A iniciativa, segundo ele, seria uma ampliação do atual Cartão Escola 10.
A proposta prevê o pagamento de até R$ 1 mil adicionais ao estudante, com o valor condicionado ao desempenho escolar. Quanto maior a nota, maior seria o benefício recebido.
“Nós vamos lançar o programa Cartão Escola Mil, que vai pegar o Cartão Escola 10, que garantia uma renda para o estudante, e vai garantir mil reais adicionais agora, baseado na nota que ele tira. Quanto maior a nota, mais ele vai receber como maneira de emancipar o jovem.”




