O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste sábado (25), durante convenção realizada em Campinas (SP), a candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo nas eleições de 2026. O ex-ministro da Fazenda volta a disputar o Palácio dos Bandeirantes após ter concorrido ao cargo em 2022.
A composição da chapa também foi confirmada no encontro, com o ex-governador Márcio França (PSB) indicado para a vaga de vice-governador. O evento reuniu lideranças da base governista, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, além das pré-candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
Em seu pronunciamento, Haddad concentrou as críticas na administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O petista questionou os resultados apresentados pelo governo paulista em áreas como segurança pública, saúde e educação, além de afirmar que indicadores sociais apontam agravamento de problemas no estado.
Outro tema de destaque foi a política de concessões e privatizações promovida pelo governo estadual. Haddad criticou a venda da Sabesp e a transferência da operação de linhas ferroviárias para a iniciativa privada, sustentando que a população tem enfrentado dificuldades no abastecimento de água e aumento nas tarifas, além de problemas na prestação dos serviços.
Durante a convenção, o presidente Lula direcionou parte de seu discurso ao cenário eleitoral. Ele afirmou que a campanha deste ano deverá ser marcada pelo uso crescente da inteligência artificial na disseminação de informações falsas e defendeu que a disputa seja baseada na trajetória e nas propostas dos candidatos.
Os aliados presentes reforçaram o apoio à candidatura petista. Marina Silva destacou ações desenvolvidas por Haddad quando esteve à frente do Ministério da Educação, atribuindo à expansão da rede federal de ensino superior e técnico oportunidades para estudantes da periferia. Já Simone Tebet voltou suas críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ao condenar declarações que colocam em dúvida a segurança das urnas eletrônicas.
Trajetória política
Filiado ao PT desde a década de 1980, Fernando Haddad é formado em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), onde também atuou como professor de Ciência Política.
Na administração pública, iniciou a carreira como subsecretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Marta Suplicy. Posteriormente, integrou a equipe do Ministério do Planejamento antes de assumir o Ministério da Educação nos governos Lula e Dilma Rousseff, permanecendo no cargo por quase sete anos.
Em 2012, foi eleito prefeito da capital paulista, mandato marcado por desafios políticos e pelas manifestações de 2013. Tentou a reeleição em 2016, mas acabou derrotado ainda no primeiro turno.
Com a inelegibilidade de Lula em 2018, Haddad tornou-se o candidato do PT à Presidência da República e chegou ao segundo turno, sendo derrotado por Jair Bolsonaro. Em 2022, disputou o governo paulista, mas perdeu para Tarcísio de Freitas.
No terceiro mandato de Lula, assumiu o Ministério da Fazenda, onde conduziu a política econômica do governo até março de 2026, quando deixou o cargo para se dedicar integralmente à nova disputa pelo comando do Estado de São Paulo.




