Ao voltar para a sede da AMSM, O Visconde, diferentemente de seus discursos imponentes antes do encontro com a raposa, limitou-se a dizer que “estava tudo resolvido, Péu Pedófilo não é mais um problema para os moradores de Stella Maris”.
A simples frase foi motivo de festa! Uma festança! Comemoração de grande comoção! Mas O Visconde não entrava nessa dança, e, do canto de seu olho, caía uma lágrima de indecifrável emoção.
A notícia de que Stella Maris era o lugar mais seguro da Massayó se espalhou rapidamente. Pessoas de tudo que é espaço levaram suas escovas de dente para lá. Stella Maris cresceu tanto que foi necessário pensar um novo nome para ela. No começo virou “Stella Maris mais adjacências”, mas esse nome pegava mal. Depois de uma longa assembleia que durou três dias e três noites, um nome surgiu. “Stella Maris mais adjacências” virou Yatiúka e a parte original de Stella Maris conservou sua identidade.
Aquele tanto de gente nova aborrecia por demais O Visconde (que neste estágio da história com certeza já recebera o título de Visconde concedido por autoridades competentes). Não bastava os primeiros moradores de Stella Maris destruírem o mangue, agora os moradores de Yatiúka queriam apagar as memórias do passado.
Farto de tantas mudanças, O Visconde teve uma ideia nascida da esperança. Do alto de um banco da praça, ele gritou Companheiros do Stella Maris, é preciso dar um basta nas mudanças yatiukanas (O Visconde em seu íntimo sentiu-se orgulhoso por ter inventado a palavra ‘yatiukanas’) Stella Maris não pode continuar a aceitar que os yatiukanos decidam como ela vai ser e o que ela vai ter ou não ter. Companheiros, juntem-se a mim, O Visconde de Stella Maris pela nossa liberdade, pois eu vos liderarei nesta campanha!
A Guerra Stellamarina – nome dado pelo poeta Ludovico Fortes – foi o épico confronto entre os moradores de Stella Maris, liderado pelo Lendário Visconde de Stella Maris contra as forças imperialistas da Yatiúka. Stella Maris buscava a sua emancipação após longos anos de domínio despótico yatiukano. A última batalha, realizada entre o Women’s Park e a Avenue Amelié Rose durou cerca de 18 horas. A Resistência Stellamarina, o último grupo militar de Stella Maris, era comandada pel’O Visconde e seu braço direito, o Estudante que não lembro bem o nome. Do outro lado, o Exército Imperial Yatiukano. Após a rendição da Resistência, em um ato de extrema covardia, o Estudante que não lembro bem o nome foi alvejado pelas costas, caindo duro e sem vida nos braços d’O Visconde.
Como homenagem ao feito heroico do Estudante, hoje há uma rua em seu nome, e é lá que O Visconde mora, Rua Estudante que não lembro bem o nome. Bem próxima à praça, lugar em que nossa história se passa.
Mesmo com a derrota, Stella Maris viveu em relativos anos de paz após a Guerra Stellamarina, paz e, ouso dizer, relativa independência em relação a Yatiúka.
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