A ofensiva da Polícia Federal desta quarta-feira (7) impôs um novo desgaste à articulação política do senador no Rio de Janeiro. O alvo da vez foi o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil) , considerado um dos principais aliados do parlamentar e apontado como favorito para disputar uma vaga ao Senado na chapa bolsonarista em 2026. A operação amplia a sequência de reveses enfrentada pelo grupo político de Flávio no estado e coloca em dúvida mais uma candidatura estratégica.
Canella foi alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) . A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes. Segundo a Polícia Federal, relatórios do apontam movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos relacionadas ao grupo investigado.
Durante o cumprimento dos mandados, o prefeito foi preso em flagrante após agentes encontrarem, segundo a PF, um fuzil calibre .556 com documentação irregular em seu veículo. Segundo a defesa a arma pertence a policiais que fazem a segurança de Canella.
Nos bastidores do PL, a situação do prefeito já era tratada com cautela. Apesar das controvérsias envolvendo sua gestão — entre elas a nomeação de pessoas apontadas como integrantes de milícias para cargos na Prefeitura de Belford Roxo — sua pré-candidatura ao Senado foi mantida por fazer parte do acordo político entre o PL e o União Brasil.
Canella é uma das principais lideranças eleitorais da Baixada Fluminense e peça importante na estratégia de Flávio Bolsonaro para fortalecer seu palanque no estado. Sua influência também interessa ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, pré-candidato à Câmara dos Deputados, que conta com a estrutura política do prefeito em sua campanha.
A operação, porém, coloca esse planejamento em risco e obriga os aliados a discutirem alternativas para a composição da chapa.
Mais um revés para Flávio Bolsonaro
A investigação contra Canella se soma a outras dificuldades enfrentadas pelo senador na montagem de sua aliança eleitoral no Rio de Janeiro.
O ex-governador Cláudio Castro abandonou a pré-candidatura ao Senado depois de ser alvo de operações da Polícia Federal que investigam supostas ligações com o empresário e o ex-banqueiro.
Já o deputado Douglas Ruas, pré-candidato ao Governo do Rio, viu frustrada a expectativa de assumir o comando do estado após decisão do STF que manteve o desembargador Ricardo Couto no cargo. O episódio passou a ser explorado politicamente pelo presidente Lula como contraponto ao grupo bolsonarista no estado.
Embora Canella não tenha sido alvo de prisão preventiva, a prisão em flagrante por porte irregular de arma aumentou a pressão sobre sua permanência como pré-candidato. O sigilo das investigações também faz com que dirigentes do PL e dos partidos aliados aguardem novos desdobramentos antes de uma decisão definitiva.
Substituições já são debatidas
Com a incerteza em torno de Canella, lideranças partidárias passaram a discutir possíveis substitutos para a disputa ao Senado.
Entre os nomes cogitados está o do ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi. No entanto, o PP resiste à mudança por considerá-lo um forte candidato à Câmara dos Deputados.
Outra possibilidade é utilizar a vaga para ampliar a aliança com o Republicano , que poderá indicar o deputado Marcelo Crivella para integrar a chapa.
Ao mesmo tempo, o PL ainda busca um nome para ocupar a vaga deixada por Cláudio Castro na corrida ao Senado. Os mais cotados são o senador Carlos Portinho e o deputado Carlos Jordy. Já o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, perdeu espaço nas discussões após voltar a ser alvo de uma operação da Polícia Federal.




