Por Severino Angelino
Vivemos em uma sociedade que, durante muito tempo, ensinou aos homens que demonstrar emoções era sinal de fraqueza. Desde cedo, muitos escutam frases como: “homem não chora”, “seja forte”, “engula o choro” ou “resolva seus problemas sozinho”. Embora pareçam inofensivas, essas mensagens acabam construindo uma ideia perigosa: a de que sentir é errado e pedir ajuda é uma demonstração de incapacidade.O resultado dessa educação emocional pode ser observado na vida adulta. Muitos homens aprendem a esconder suas angústias, medos e frustrações. Continuam trabalhando, sustentando a família, cumprindo suas responsabilidades, mas carregam, em silêncio, um sofrimento que ninguém percebe. Por fora, parecem fortes; por dentro, enfrentam ansiedade, tristeza, sensação de vazio e um profundo cansaço emocional.
Esse silêncio, muitas vezes, não significa ausência de sofrimento. Pelo contrário. Ele pode se manifestar por meio da irritabilidade, da agressividade, do isolamento, do abuso de álcool e outras substâncias, das dificuldades nos relacionamentos e até de doenças físicas. O corpo, muitas vezes, expressa aquilo que as palavras não conseguem dizer.
Infelizmente, ainda existe o preconceito de que cuidar da saúde mental é um sinal de fragilidade. Essa crença impede muitos homens de procurar ajuda, fazendo com que enfrentem seus conflitos sozinhos por anos. No entanto, reconhecer que algo não vai bem exige coragem. Muito mais coragem do que continuar escondendo a dor.
A psicanálise oferece um espaço onde não há julgamentos, apenas escuta. Um lugar em que o homem pode falar sobre seus medos, inseguranças, perdas e conflitos, compreendendo como sua história influencia sua maneira de viver e de se relacionar. Falar não elimina todos os problemas, mas permite que o sofrimento deixe de ser carregado sozinho.Cuidar da saúde emocional não diminui ninguém. Ao contrário, fortalece. Um homem que reconhece seus limites, compreende suas emoções e busca ajuda quando necessário constrói relações mais saudáveis, toma decisões com mais consciência e vive de forma mais equilibrada.
Precisamos romper com a ideia de que o silêncio é sinônimo de força. A verdadeira força está na capacidade de olhar para si mesmo, reconhecer o próprio sofrimento e permitir-se ser cuidado.
Severino Angelino – Psicanalista




