A democracia não é silenciosa. Ela incomoda, provoca, permite a crítica e, sobretudo, garante o direito de discordar. Foi com esse entendimento que o candidato do MDB ao governo de Alagoas, Renan Filho, reagiu neste domingo às sucessivas ações judiciais contra jornalistas e portais de notícias promovidas por integrantes da coligação adversária, que tem JHC como principal nome.
Questionado durante a inauguração de seu comitê em Maceió sobre o que chamou de perseguição à imprensa alagoana, Renan Filho foi direto:
“A democracia, alguns não entendem, ela é barulhenta. Tem opiniões divergentes. O povo tem o direito de pensar cada um no seu próprio modo. Silêncio ocorre na ditadura.”
O candidato afirmou que a imprensa precisa resistir aos ataques e disse acreditar que aqueles que tentam censurar jornalistas acabarão sofrendo as consequências políticas de suas próprias atitudes.
“Todo momento de ataque é cíclico. Esses ataques voltarão contra aqueles que tentam censurar a imprensa alagoana”, declarou. E completou: “Nós vamos enfrentá-los e vamos vencer nas urnas e defender um pilar democrático, que é a liberdade de imprensa.”
A declaração ocorre em meio a novos episódios envolvendo jornalistas alagoanos. Neste fim de semana, um video da jornalista Bleine Oliveira foi amplamente divulgado nas redes sociais relatando sua indignação ao tomar conhecimento de mais um processo judicial.
Emocionada, Bleine afirmou que chorava não por medo, mas por indignação. Lembrou jornalistas e companheiros que enfrentaram a repressão durante a ditadura militar e disse que aprendeu com eles que democracia significa justamente ter o direito de se manifestar, opinar e criticar.
A jornalista também afirmou que continuará exercendo seu direito de opinião, embora tenha decidido, em conjunto com seu advogado, evitar expressões que possam ser consideradas ofensivas.
É importante fazer uma distinção. Quem se sente atingido por uma publicação tem o direito de recorrer à Justiça. Jornalistas também devem responder por eventuais abusos. A liberdade de imprensa não significa ausência de responsabilidade.
O problema começa quando o volume de ações judiciais deixa de representar apenas a busca legítima por reparação e passa a produzir um ambiente de intimidação, no qual jornalistas e veículos de comunicação podem se sentir constrangidos a falar sobre determinados personagens ou assuntos.
E é justamente nesse ponto que a discussão deixa de ser apenas eleitoral.
JHC tem apresentado aos alagoanos a promessa de “libertá-los”. Mas permanece uma pergunta incômoda: qual é o sentido dessa liberdade?
Porque liberdade também é poder discordar do governante. É poder criticá-lo. É poder publicar uma opinião que lhe desagrade. É poder fazer jornalismo sem precisar calcular se cada palavra poderá resultar em uma nova ação judicial.
Quem pretende governar um Estado precisa compreender que o poder público não escolhe os elogios que recebe — e muito menos pode escolher quais críticas considera aceitáveis.
A democracia é, como disse Renan Filho, barulhenta. E o barulho não é um defeito dela. É uma de suas maiores virtudes.




