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No palco onde tudo começou, Lula lança campanha ao quarto mandato e resgata 47 anos de trajetória política

Com hino nacional cantado por Fafá de Belém, presidente transforma estádio das greves do ABC em cenário para defender legado e apresentar visão de futuro para o Brasil

Ao som do Hino Nacional, interpretado pela cantora Fafá de Belém, Luiz Inácio Lula da Silva abriu neste domingo (16), no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, a caminhada para disputar um quarto mandato à Presidência da República. O local escolhido não foi casual: foi ali, ainda na antiga Vila Euclides, que o então líder sindical Lula comandou assembleias históricas dos metalúrgicos do ABC no fim dos anos 1970.

Quase cinco décadas depois, o presidente voltou ao mesmo espaço para transformar memória em discurso político. Diante de uma multidão de apoiadores, Lula revisitou episódios das greves de 1979 e 1980, lembrou companheiros que morreram ao longo da trajetória, homenageou a mãe, dona Lindu, falou sobre Marisa Letícia e apresentou uma espécie de prévia das prioridades que pretende levar para a campanha de 2026.

O discurso foi marcado pela emoção, mas também por uma mensagem política clara: Lula quer que a eleição seja disputada a partir da comparação entre projetos e resultados de governo.

A lembrança das origens ocupou boa parte da fala. Lula recordou que, em 1979, o palanque sequer existia e que chegou a falar aos trabalhadores sobre uma mesa de bar emprestada. Também relembrou a assembleia em que pediu um voto de confiança para que os trabalhadores aceitassem uma proposta apresentada pelos empresários, episódio que, segundo ele, provocou uma ruptura temporária na relação com a categoria.

A experiência, afirmou, foi uma de suas maiores lições políticas.“Os trabalhadores descobriram que eu estava certo em 1979 e que eles estavam errados”, contou, ao recordar a greve de 1980, que durou 41 dias e terminou com milhares de demissões e sua prisão.

Foi justamente dessa experiência sindical que Lula voltou a defender a participação política dos trabalhadores. Ele contou que inicialmente era contrário à criação de um partido, mas mudou de posição ao perceber que, sem disputar o poder institucional, os trabalhadores poderiam lutar nas fábricas e depois eleger representantes que defendessem interesses contrários aos seus.

A mãe, os companheiros e a memória da luta

A parte mais emotiva do discurso foi dedicada às pessoas que, segundo Lula, ajudaram a construir sua trajetória e já não estão vivas.

Ele citou intelectuais como Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Antônio Candido e Marco Aurélio Garcia, além de lideranças sociais e sindicais como Chico Mendes, Margarida Alves e Wilson Pinheiro.

Mas foi ao falar de dona Lindu que Lula mais se emocionou. A mãe, que morreu analfabeta e criou oito filhos, foi apresentada como a principal responsável pelos valores que, segundo ele, orientaram sua vida.

“Eu devo a minha vida à dona Lindu”, afirmou.

Lula também lembrou a primeira-dama Marisa Letícia e associou sua trajetória pessoal à construção da vida política que o levou à Presidência da República.

Ao falar para as mulheres, defendeu igualdade e combate à violência de gênero. Pediu que nenhuma mulher “baixe a cabeça” e afirmou que homens e mulheres devem ser tratados com a mesma dignidade.

“Pensar no futuro”

Depois de revisitar o passado, Lula direcionou o discurso para o futuro. A expressão “pensar no futuro” foi repetida diversas vezes como síntese de suas propostas para um eventual quarto mandato.

Educação, emprego, industrialização, segurança pública, infraestrutura e soberania sobre recursos naturais apareceram entre os principais temas.

Na educação, defendeu a expansão das escolas de tempo integral, a formação profissional e a ampliação do acesso dos jovens ao ensino superior e aos institutos federais.

Na segurança pública, afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso seja aprovada a proposta de emenda constitucional que reorganiza as atribuições dos diferentes níveis de governo na área.

Lula também defendeu uma política de combate ao crime organizado baseada no bloqueio dos recursos financeiros das organizações criminosas.

Industrialização e minerais estratégicos

Um dos trechos de maior conteúdo econômico do discurso foi dedicado à retomada da industrialização brasileira.

Lula afirmou que o Brasil precisa deixar de exportar apenas matérias-primas e passar a transformar seus recursos naturais dentro do próprio território, gerando tecnologia, empregos e maior valor agregado.

Nesse contexto, citou terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para setores como semicondutores, baterias e tecnologias de transição energética.

A mensagem foi de soberania econômica: o Brasil deve explorar seus recursos, mas também desenvolver capacidade tecnológica e industrial para transformar a riqueza mineral em desenvolvimento nacional.

Lula citou ainda a Nova Indústria Brasil e colocou o vice-presidente Geraldo Alckmin no centro dessa estratégia.

Balanço e comparação

O presidente também apresentou números sobre emprego, inflação, crescimento econômico, educação, investimentos e crédito, defendendo que a militância esteja preparada para comparar os resultados de seu governo com os de administrações anteriores.

A estratégia ficou explícita: a campanha deverá ser travada não apenas em torno de discursos políticos, mas também de indicadores econômicos e sociais.Lula afirmou que, nos próximos dias, pretende apresentar, ao lado de Alckmin, uma proposta de governo para o próximo mandato.

No encerramento, Lula pediu votos para Fernando Haddad ao governo de São Paulo, para as candidaturas ao Senado e para os candidatos do grupo político que apoia sua candidatura.

Também defendeu a formação de uma maioria no Congresso Nacional para garantir condições políticas de implementação das propostas.

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