Presidente evita comentar em detalhes as tarifas impostas pelos Estados Unidos antes de um pronunciamento de Donald Trump, defende a soberania nacional e reafirma disposição do Brasil para negociar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na sexta-feira (17) que só comentará em profundidade as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros após uma manifestação pública do presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo Lula, o Brasil responderá no momento adequado e não permitirá que informações falsas prevaleçam no debate sobre a disputa comercial.
Durante agenda na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, onde participou da apresentação da Carreta da Saúde da Mulher, o presidente disse que o foco do evento era a ampliação do acesso aos serviços de saúde, razão pela qual preferiu adiar uma resposta ao chamado tarifaço.
“Vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei“, declarou. Em seguida, reforçou o tom adotado pelo governo brasileiro diante da crise comercial. “Vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo.”
Lula também afirmou que o país exige respeito nas relações internacionais e não aceitará provocações de outras nações.
“Esse país precisa estar de cabeça erguida. O Brasil não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo. Queremos respeito da mesma forma que damos respeito para todo mundo“, afirmou.
Governo mantém cautela diante das tarifas
As declarações ocorrem após o governo dos Estados Unidos anunciar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida prevista para entrar em vigor em 22 de julho.
Além da sobretaxa, integrantes da administração norte-americana afirmaram que novas medidas poderão ser avaliadas caso o Brasil adote retaliações comerciais.
Em nota divulgada na quinta-feira (16), o Palácio do Planalto informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, e que também pretende levar a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar disso, o governo brasileiro tem optado por uma estratégia de cautela. Integrantes do Planalto avaliam que uma resposta imediata poderia servir de justificativa para um endurecimento ainda maior das medidas adotadas por Washington.
Aliados de Lula também mencionam um trecho da decisão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), segundo o qual uma eventual elevação de tarifas brasileiras sobre produtos americanos poderia ser interpretada como sinal de que as sanções atuais seriam insuficientes, abrindo espaço para novas restrições comerciais.
Críticas dos EUA e resposta brasileira
A crise diplomática se intensificou após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmar que as políticas econômicas do governo Lula são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros. Rubio também acusou o presidente brasileiro de não negociar de boa-fé.
As declarações foram rebatidas pelo governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as críticas como “descabidas”, afirmou que as novas tarifas “não têm racionalidade” e considerou ofensivas as declarações do governo norte-americano.
Nas redes sociais, Lula voltou a defender a posição brasileira, afirmando que, desde o início da crise, o governo buscou o diálogo e manteve disposição para negociar.
Segundo o presidente, não há justificativa para a imposição das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, e o Brasil continuará utilizando os canais diplomáticos e os instrumentos previstos pelo direito internacional para defender seus interesses.




