O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que o governo brasileiro segue empenhado em negociar com os Estados Unidos para reverter as tarifas impostas a produtos nacionais, mas criticou a postura adotada por Washington durante as tratativas. Segundo ele, apesar das diversas iniciativas brasileiras, não houve reciprocidade por parte do governo norte-americano.
Durante declaração, Lula destacou que o Brasil continuará aberto ao diálogo, mas rejeitou qualquer possibilidade de abandonar a busca por alternativas comerciais caso as negociações não avancem.
“Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação […] a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, afirmou o presidente.
Na sequência, Lula ressaltou que o impasse não significa um rompimento das relações entre os dois países.
“Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos EUA? Não, não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e fazendo eles provarem que eles tinham alguma razão em taxar o Brasil.”
O presidente reforçou que o governo brasileiro permanece disposto a negociar e que não há qualquer restrição para manter o diálogo diplomático.
“E vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar e-mail, tweet, que mandem, nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação. Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores.”
Governo amplia apoio às empresas afetadas
As declarações ocorreram durante o anúncio de um novo pacote de medidas para reduzir os impactos econômicos provocados pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio.O governo federal disponibilizou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito destinadas às empresas prejudicadas pelas restrições comerciais.
Os recursos atenderão empresas dos setores diretamente atingidos pelas tarifas norte-americanas, incluindo as cadeias de aço, alumínio, indústria automotiva, madeira e máquinas. Também serão contemplados segmentos considerados estratégicos para a economia nacional, como fertilizantes, indústria farmacêutica, setor têxtil e produção de minerais críticos, além de empresas que tiveram exportações para os países do Golfo Pérsico comprometidas em razão do conflito no Oriente Médio.
Além do novo crédito, Lula sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões para o programa Brasil Soberano 2, ampliando as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano, criado em 2025 como resposta ao primeiro pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos. A legislação tem origem em uma medida provisória editada em março deste ano.
Novas ações seguem em avaliação
O governo informou que outras iniciativas permanecem em análise e poderão ser implementadas caso as empresas enfrentem maiores dificuldades para comercializar os produtos afetados pelas tarifas.
O anúncio foi realizado um dia após o início de uma série de reuniões entre representantes do governo federal e dos setores econômicos mais impactados pelo chamado “tarifaço” norte-americano, com o objetivo de avaliar novas medidas de apoio e estratégias para preservar a competitividade das exportações brasileiras.




