Nesta sexta-feira (26), Gilberto Gil celebrou 84 anos de vida fazendo exatamente aquilo que marcou sua trajetória por mais de seis décadas: emocionando o Brasil.
O presente para o público chegou em forma de música. No mesmo dia em que comemorou mais um aniversário, Gil lançou nas plataformas digitais o primeiro volume de “Tempo Rei — Ao Vivo”, registro da turnê que percorreu o país e que também simboliza sua despedida dos grandes palcos. O projeto será dividido em quatro partes, lançadas até o fim do ano, acompanhadas por registros audiovisuais dirigidos por Rafael Dragaud e editados por Joana Swan. Em novembro, o encerramento dessa jornada será marcado pelo lançamento de um box especial em vinil reunindo todos os volumes.
“Tempo Rei” é uma viagem pela memória afetiva de Gil.O repertório percorre diferentes capítulos da carreira do artista. A energia contagiante de “Banda Um”, registrada em Fortaleza, transforma o palco em uma grande celebração, embalada pela sanfona de Mestrinho. Em Belo Horizonte, “Tempo Rei” reaparece renovada, vestida por cordas, afoxé e baião, reafirmando a beleza de aceitar a passagem dos anos sem perder a esperança. Também na capital mineira, “Eu Só Quero um Xodó” renova a força da cultura nordestina, enquanto imagens de Luiz Gonzaga lembram a profunda ligação entre dois gigantes da música brasileira.
As raízes baianas voltam a florescer em “Eu Vim da Bahia”. Entre acordes, cordas e o trombone de Marlon Sette, o telão presta homenagem a Dorival Caymmi e João Gilberto, artistas que, assim como Gil, mudaram para sempre a maneira de fazer e sentir a música brasileira.
A espiritualidade ganha espaço em “Procissão”, um dos primeiros sucessos do cantor, gravado durante a passagem da turnê pelo Rio de Janeiro. Já o encerramento do álbum reserva um dos momentos mais intensos: “Cálice”, composta com Chico Buarque em meio aos anos de chumbo da ditadura militar, ressurge como um poderoso lembrete de que a arte nunca deixa de resistir. O coro, a guitarra de Bem Gil e as imagens projetadas no palco transformam a canção em um manifesto de memória e liberdade.
Enquanto o país celebrava a obra do artista, Gil viveu um momento ainda mais íntimo. Cercado pela esposa Flora, pelos filhos, netos e amigos, soprou as velas dos 84 anos em clima de carinho e gratidão. Nas redes sociais, compartilhou o vídeo da comemoração e deixou uma mensagem simples, mas carregada de significado: “Obrigado a todos que manifestaram afeto por aqui pelas redes.”
Ao lado de Flora e das filhas Bela, Nara e Marília, Gil mostrou que o tempo, tão presente em suas canções, também pode ser medido pelos abraços, pelas lembranças e pelo amor de quem caminha ao seu lado. Aos 84 anos, Gilberto Gil continua provando que o tempo não diminui os grandes artistas. Apenas amplia o seu legado.




