spot_img

Família de Maria Daniela relata medo após entrega de investigado e pede proteção: “Se acontecer algo conosco, todos saberão de onde vem”

Advogada afirma que solicitará inclusão da família no Programa de Proteção a Testemunhas e diz que temor aumentou após desdobramentos da investigação

Mesmo após a apresentação de Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como “Vitinho”, à Justiça, a família de Maria Daniela Ferreira Alves afirma viver dias de medo e insegurança. Em um vídeo divulgado neste domingo, os familiares relataram receio de sofrer represálias e disseram que a jovem, ainda abalada pelas consequências da violência que denunciou, precisou dormir ao lado dos pais por não se sentir segura.

O pai de Maria Daniela agradeceu o apoio recebido desde que o caso ganhou repercussão e fez um desabafo sobre o temor vivido pela família. Segundo ele, nunca teve desavenças com ninguém e afirmou que, caso algo aconteça com qualquer integrante da família, a origem de uma eventual ameaça já seria conhecida.

“Quero agradecer a todos que estiveram ao lado da nossa família. Nós não temos inimigos. Se acontecer alguma coisa comigo, com minha esposa ou com minha filha, todos já sabem de onde vem”, declarou.

País de Maria Daniela gravam vídeo expondo o medo da famílias mesmo após a prisão de Vitinho.

A advogada, Dra. Julia Nunes, que representa Maria Daniela reforçou que o medo manifestado pela família é real e tem fundamento. Segundo ela, a decisão da jovem de denunciar o crime e buscar responsabilização criminal desencadeou investigações que foram além do caso inicial.

De acordo com a advogada, a coragem de Maria Daniela contribuiu para que a Polícia Civil avançasse nas apurações e desarticulasse uma possível organização criminosa, circunstância que, na avaliação da defesa, aumenta a preocupação com a segurança da vítima e de seus familiares.

Diante desse cenário, a representante jurídica informou que solicitará a inclusão da família no Programa de Proteção a Testemunhas, medida que considera necessária para preservar a integridade física de todos os envolvidos.

Investigado se apresentou após período como foragido

O pronunciamento da família ocorre poucos dias após Victor Bruno da Silva Santos se apresentar às autoridades. Denunciado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) por estupro e tentativa de feminicídio, ele era considerado foragido.

Vitinho se entregou a policia mais de um ano e sete meses após o crime

A acusação sustenta que a entrega foi resultado da intensa mobilização popular em torno do caso, que manteve a divulgação da imagem do investigado e pressionou para que ele deixasse a condição de foragido.

“Se hoje ele se apresentou, não foi porque ele quis se apresentar. Foi porque vocês fizeram com que ele estivesse preso dentro de uma casa. Não dentro do sistema prisional, porque a polícia falhou e as autoridades falharam em não conseguir prendê-lo”, afirmou a representante da vítima.

Ela também destacou o papel da sociedade na repercussão do caso.

“Fomos nós, cada mulher e cada homem de coragem, que divulgou a foto, mesmo sabendo que poderia ser processado, que gritou por Maria Daniela. Ela é uma mulher pobre, mas honrada. Foi isso que fez com que ele se obrigasse a se entregar”.

Investigação aponta estupro e tentativa de feminicídio

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 6 de dezembro de 2024, após uma confraternização realizada depois de um evento da escola onde Maria Daniela trabalhava, em Coité do Nóia.

Além da responsabilização do investigado, Dra Júlia Nunes voltou a defender que a investigação aprofunde a apuração sobre a possível participação de outras pessoas.

A acusação afirma que a jovem foi levada para uma chácara pertencente à família de Victor Bruno, onde teria sido dopada, estuprada, agredida e asfixiada. Ela foi encontrada em estado gravíssimo, permaneceu vários dias em coma e sobreviveu com graves sequelas neurológicas.

Entre as provas reunidas pela investigação está um laudo toxicológico que identificou no organismo da vítima cinco medicamentos com efeito sedativo: Diazepam, Fenitoína, Haloperidol, Nordiazepam e Prometazina. Para o MPAL, o exame reforça a tese de que Maria Daniela foi dopada antes da violência.

A defesa de Victor Bruno nega as acusações e afirma que a relação sexual foi consensual.

Defesa da vítima também pede apuração sobre outros possíveis envolvidos

Além da responsabilização do investigado, a advogada voltou a defender que a investigação aprofunde a apuração sobre a possível participação de outras pessoas.

Segundo ela, Maria Daniela relatou que havia outros homens no local na noite do crime. Até o momento, contudo, essa hipótese ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades responsáveis pela investigação.

O processo segue em tramitação na Justiça de Alagoas. Enquanto a acusação sustenta os crimes de estupro e tentativa de feminicídio, a defesa nega qualquer prática criminosa. Maria Daniela continua em tratamento para lidar com as sequelas deixadas pela violência e, agora, segundo familiares e advogada, enfrenta também o medo de possíveis represálias pela busca por justiça.

Leia Também

- Publicidade -spot_img
- Publicidade -spot_img

Últimas dos Blogs