O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros representam uma “interferência indevida externa” e classificou a medida como ilegítima por, segundo ele, estar baseada em motivações falsas. Durante entrevista coletiva do governo federal, Durigan garantiu que a equipe econômica manterá a estabilidade macroeconômica do país e reforçará o apoio às empresas atingidas pelo chamado “tarifaço”.
Ao iniciar sua fala, o ministro afirmou que o governo considera inadmissível qualquer tentativa de interferência estrangeira sobre as decisões econômicas do Brasil.
“Trata-se de uma interferência indevida externa. É inadmissível, do ponto de vista do governo, que essa interferência, seja ela política, econômica ou qualquer forma de constranger as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores, aconteça.
A política econômica de um país é feita por seus cidadãos, não para atender o secretário de Estado de um outro país”, declarou.
Segundo Durigan, a política econômica brasileira tem como objetivos reduzir desigualdades, melhorar o bem-estar da população, combater privilégios e promover justiça social.
“Essa medida, baseada em motivação falsa, fere o senso mais básico do nosso patriotismo”, afirmou, acrescentando que considera preocupante o uso do episódio por setores da oposição em meio ao debate político interno.
O ministro reforçou que o governo considera as tarifas ilegítimas por estarem fundamentadas em argumentos que, na avaliação do Executivo, não correspondem aos fatos. Para ele, as medidas prejudicam tanto os consumidores norte-americanos quanto os empresários brasileiros.
“O que atrapalha o consumidor norte-americano e o empresário brasileiro são as tarifas, que aumentam o custo para o consumidor dos Estados Unidos, prejudicam quem investe para ampliar as exportações brasileiras e reduzem a participação dos Estados Unidos na balança comercial entre os dois países”, disse.
Durigan também destacou que a própria decisão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) demonstra a complementaridade entre as economias brasileira e norte-americana. Segundo ele, mais de dois mil itens da pauta de exportações brasileira foram excluídos das novas tarifas por serem considerados insumos essenciais para a economia dos Estados Unidos.
“A complementaridade das economias, construída ao longo de mais de 200 anos de parceria entre os dois países, está colocada na própria decisão do Escritório de Comércio, o que revela a ilegitimidade, a falta de razão e a motivação política do novo tarifaço”, afirmou.
O ministro garantiu que a equipe econômica continuará comprometida com a manutenção da estabilidade macroeconômica do país.
“Nossa estabilidade macroeconômica está mantida e continuará mantida, a despeito da interferência externa dos Estados Unidos”, declarou.
Embora reconheça que alguns segmentos exportadores possam sofrer impactos, Durigan afirmou que o governo espera preservar os principais indicadores da economia brasileira.
“Vamos seguir entregando recorde de geração de empregos, inflação sob controle, recorde de balança comercial, abertura de novos mercados e investimentos em infraestrutura. Não há país estrangeiro que interfira no destino do nosso povo”, disse.
Segundo o ministro, o governo já dispõe de mecanismos para proteger empresas e trabalhadores afetados pelas medidas comerciais e irá ampliar o programa Brasil Soberano, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
“Os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e ampliaremos e reforçaremos o plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos”, afirmou.
Durigan também criticou grupos políticos e lideranças empresariais que, segundo ele, apoiam as medidas adotadas pelos Estados Unidos.
“É incompreensível que alguns grupos políticos e lideranças empresariais reforcem esse pleito internacional, que não resguarda as prioridades dos próprios setores que dizem representar”, declarou.
Ao encerrar sua participação, o ministro informou que o grupo de ministros responsável pelo tema levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta para retomada das medidas de reciprocidade previstas na legislação aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional.
Por fim, Durigan afirmou que o governo manterá aberta a disposição para o diálogo, mas sem abrir mão da defesa dos interesses nacionais.
“Seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrar a interesses estrangeiros. Vamos seguir protegendo o Pix, o maior símbolo da nossa soberania financeira, a nossa soberania geológica e a nossa democracia contra interferências internacionais indevidas. Isso não significa fechar as portas para o diálogo. Seguiremos abertos à diplomacia e à negociação, seja com os Estados Unidos, seja com qualquer outro país que nos trate com o devido respeito”, concluiu.




