A Braskem chegou à recuperação extrajudicial depois de anos acumulando pressões financeiras. No centro dessa trajetória está o desastre geológico de Maceió, mas a crise também foi agravada pela queda das margens da indústria petroquímica mundial e pelo elevado endividamento da companhia.
A exploração de sal-gema na capital alagoana começou na década de 1970. Em fevereiro de 2018, grandes rachaduras apareceram no bairro do Pinheiro. Um tremor, no mês seguinte, agravou a situação. Em 2019, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) concluiu que a instabilidade do solo estava relacionada à mineração de sal-gema.
O desastre provocou a desocupação de mais de 14 mil imóveis e afetou cerca de 60 mil pessoas, transformando profundamente bairros de Maceió.
Desde então, a Braskem assumiu compromissos bilionários para reparar os danos. Um acordo firmado em 2023 previu R$ 1,7 bilhão ao município de Maceió. Em 2025, outro acordo estabeleceu o pagamento de R$ 1,2 bilhão ao governo de Alagoas.
A empresa afirma já ter desembolsado mais de R$ 4,2 bilhões em indenizações, auxílios e apoio à realocação de moradores e comerciantes. Ainda mantém R$ 3,24 bilhões provisionados para despesas futuras relacionadas ao desastre.

Enquanto arcava com os custos de Maceió, a Braskem enfrentou uma deterioração do mercado petroquímico internacional. A expansão da produção, especialmente na China, aumentou a oferta e pressionou os preços. Ao mesmo tempo, inflação e juros elevados reduziram a demanda por resinas e outros produtos químicos.A consequência foi a redução das margens do setor.
No fim de 2025, a dívida líquida da companhia chegava a US$ 7,5 bilhões, enquanto a relação entre dívida e geração de caixa alcançava 14,7 vezes.
No início de agosto, a Reuters, segundo o g1, informou que a Braskem negociava uma recuperação extrajudicial para reestruturar mais de US$ 10 bilhões, cerca de R$ 51,6 bilhões, em dívidas no Brasil, Estados Unidos e Europa.
Os credores rejeitaram uma proposta que previa cinco anos de carência para o principal e dois anos e meio para os juros. Parte deles também pressionava a Petrobras por novos recursos, mas a estatal resistia diante do risco de ampliar sua participação e assumir maior exposição à dívida da petroquímica.
A estrutura em discussão previa uma suspensão de cobranças por 90 dias para permitir novas negociações.
Paralelamente, a Braskem Idesa entrou com pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos para reorganizar cerca de US$ 2 bilhões em dívidas.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Braskem pode levar de três a cinco anos para superar os problemas financeiros.
fonte: g1




