Governo instala barreira flutuante após entrada recorde de migrantes pelo enclave espanhol no norte da África.
A Espanha anunciou neste sábado (1º) que conseguiu conter o fluxo de migrantes para Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, após enfrentar uma das maiores crises migratórias já registradas na fronteira com o Marrocos. Segundo o governo espanhol, a situação na cidade está próxima da normalidade depois que a maior parte das pessoas que cruzaram a fronteira retornou ao território marroquino.
De acordo com as autoridades, cerca de 50 mil migrantes entraram em Ceuta por terra e pelo mar desde a última quinta-feira (30), em um movimento considerado sem precedentes em uma das poucas fronteiras terrestres entre a União Europeia e a África. Em apenas 48 horas, mais de 48 mil pessoas já haviam regressado ao Marrocos, sem registros de grandes incidentes durante o retorno.
Para reforçar o controle da fronteira, a Guarda Civil iniciou, na manhã deste sábado, a instalação de uma barreira flutuante de aproximadamente 500 metros na região da praia de Tarajal, principal ponto utilizado por migrantes para chegar ao território espanhol. O sistema é formado por uma estrutura pneumática e uma linha de boias ancoradas, projetadas para permanecer entre 30 e 70 centímetros acima da superfície da água e alcançar até um metro de profundidade. Um corredor entre as barreiras permitirá a circulação de embarcações da Guarda Civil durante as operações de vigilância.
A crise migratória também provocou uma tragédia humanitária. O número de mortos subiu para pelo menos 67 pessoas, segundo as autoridades espanholas. As vítimas morreram afogadas durante a travessia marítima ou foram esmagadas na tentativa de escalar o quebra-mar e a cerca que separa Ceuta do Marrocos.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, atribuiu a responsabilidade pela situação às organizações criminosas que atuam no tráfico de pessoas. Segundo ele, essas redes aproveitaram a vulnerabilidade de milhares de migrantes e espalharam informações falsas nas redes sociais sobre uma recente decisão do Supremo Tribunal espanhol. A interpretação equivocada levava muitos a acreditar que aqueles interceptados no mar não poderiam ser devolvidos imediatamente caso não houvesse uma barreira física na fronteira.
Ao longo do sábado, militares e policiais espanhóis continuaram patrulhando a praia de Tarajal e outras áreas da fronteira. A Reuters registrou migrantes sendo acompanhados pelo Exército até a passagem de retorno para o Marrocos, enquanto outros deixavam voluntariamente o território espanhol.
Ceuta é uma cidade autônoma pertencente à Espanha, situada na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Ao lado de Melilla, constitui uma das únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano. Apesar de estar sob administração espanhola há séculos, o território é reivindicado pelo Marrocos, fator que frequentemente provoca tensões diplomáticas entre os dois países.
Por integrar a Espanha, Ceuta também faz parte da União Europeia, tornando-se um dos principais pontos de entrada para migrantes que buscam alcançar o bloco europeu em busca de melhores condições de vida e oportunidades econômicas.




