Arapiraca também era alegria: folguedos, pastoris, retretas, reisados, cinema. De tudo um pouco. Desde os anos 40, nesta praça que já foi Gabino Besouro e hoje é Marques da Silva, surgiu um cinema – o Cine Leão –, de propriedade de Manoel Leão, que atendia nos fins de semana principalmente a juventude. Ele funcionou ali mesmo onde foi o Banco da Lavoura de Minas Gerais. E foi, durante muito tempo, ponto de encontro da sociedade arapiraquense, quando, antes das sessões, eram ouvidos sucessos musicais, tocados numa vitrola como Siboney, Na Virada da Montanha, Amar Foi Minha Ruína, Juazeiro, Asa Branca, Barril de Chope.
Quando as luzes do salão eram apagadas o jovem João Nobre Leão iniciava a exibição do filme, sempre numa máquina só (terminado um rolo de filme, as luzes voltavam a ser acessas até que o projetista colocasse outro rolo na máquina).
Era cinema e casa de show; em 1951 se apresentou ali mesmo no cine Leão um dos maiores cantores da época conhecido como Bob Nelson, o rei da balada.
Frequentadores assíduos: Jota (filho de Alonso de Abreu Pereira), Tavarinho (Francisco Tavares Pinheiro), Silvio Rodrigues, Deny Guerra, principalmente para assistir filmes de Rock Lane, Roy Rogers, Randolf Scott, Bill Eliot (westerns americanos ainda em preto e branco), e os brasileiros como “O Ébrio”, “Esse mundo é um pandeiro”, “Coração materno”, entre outros, ou seriados “A caveira”, “Tambores de Fumanchu”
A lembrança aviva os tempos em que surgiram os primeiros passos para que Arapiraca tivesse apresentações teatrais. Uma das figuras da época, sem dúvida, foi o professor Pedro de França Reys que reuniu, muitas vezes, Alípio Gomes, João Nobre, José Bernardino, Manoel Oliveira Barbosa, Mariquinha Gomes, Lourdes Correia, Zélia Cavalcante, Erasmo Nicolau, entre outros. O palco do cine Leão era um dos locais escolhidos para apresentação das peças, como “O pequeno Valentim”, “Deus e Alá”, “Deus lhe pague”, “O saltimbanco”, “A família dos molhados”. Outro local de apresentação teatral era o salão da Empresa de Força e Luz de Arapiraca, de propriedade de Valdomiro Barbosa.
Ainda a partir de 1950, outros jovens, tendo à frente Pedro Onofre e J. Sá passaram a apresentar manifestações teatrais, como: “O martírio de Santa Filomena”, “Terra vermelha”, “Coração materno”.
O cinema Leão funcionou até fins de 1951; em 1952, o empresário (e vereador à época) José Barbosa inaugura o cine Trianon, na mesma praça, com projeção em duas máquinas, tela em cinemascope (bem mais moderna que a do cine Leão), com mais de 600 cadeiras em declive para que um espectador não atrapalhava o outro.
Depois do cine Trianon, que também era teatro, desapareceu o cine Leão – o “poeirinha”, como ficou conhecido.
*Jornalista




