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Caso Maria Daniela revela suposto esquema de R$ 305 milhões

As investigações sobre o caso de Maria Daniela Ferreira Alves ganharam um novo desdobramento e levaram a Polícia Civil de Alagoas à descoberta de um suposto esquema de organização criminosa, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 305 milhões.

A Operação Filargiria foi deflagrada nesta sexta-feira (10) e é resultado do trabalho de inteligência realizado durante as buscas por Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como “Vitinho”, preso no mesmo dia por suspeita de estuprar e tentar matar a jovem.

Segundo a Polícia Civil, as diligências para localizar o investigado permitiram identificar movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de pessoas próximas a ele. Com autorização judicial, os investigadores aprofundaram a análise dos dados bancários e encontraram indícios de um esquema voltado à prática de crimes financeiros.

Sete pessoas são alvo da operação. Conforme a investigação, o pai de Victor Bruno é apontado como o líder do suposto grupo criminoso e teria movimentado aproximadamente R$ 150 milhões nos últimos anos. Somadas as transações atribuídas aos demais investigados, o volume financeiro chega a cerca de R$ 305 milhões.

De acordo com a Polícia Civil, os recursos circulavam por contas de pessoas físicas, empresas e supostos “laranjas”, mecanismo que teria permitido a movimentação de grandes quantias com recolhimento de tributos considerado incompatível com os valores negociados.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os policiais apreenderam cerca de R$ 90 mil em dinheiro, além de dois veículos, aparelhos celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos, que passarão por perícia.

Em entrevista coletiva, o delegado José Carlos afirmou que as buscas por Victor Bruno nunca foram interrompidas e que a investigação para capturá-lo acabou revelando indícios da existência de uma estrutura criminosa voltada para crimes financeiros. Segundo ele, as apurações agora buscam esclarecer a origem dos recursos, o funcionamento do esquema e a participação de cada investigado.

A Polícia Civil informou que Victor Bruno e o pai dele estão entre os principais investigados na Operação Filargiria. Paralelamente, as autoridades continuam reunindo provas relacionadas ao caso de Maria Daniela, incluindo a apuração sobre uma possível rede de apoio que teria auxiliado o suspeito durante o período em que permaneceu foragido.

Prisão

Victor Bruno foi preso nesta sexta-feira (10), após se apresentar à Justiça durante uma audiência realizada no Fórum de Taquarana. Após os procedimentos legais, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Ele é acusado de atacar Maria Daniela Ferreira Alves na zona rural de Coité do Nóia, em 6 de dezembro de 2024.Segundo denúncia do Ministério Público de Alagoas, a jovem foi atraída ao local pelo investigado, dopada com medicamentos de efeito sedativo, estuprada, agredida fisicamente e submetida à asfixia, o que provocou graves lesões neurológicas.

Exames toxicológicos identificaram no organismo da vítima substâncias de uso controlado frequentemente associadas à sedação em crimes sexuais. Laudos médicos apontam que Maria Daniela sofreu traumatismo craniano, permaneceu cinco dias em coma e ficou com sequelas neurológicas e motoras permanentes.

Além das graves lesões físicas, a jovem foi diagnosticada com estresse pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedade e depressão, necessitando de acompanhamento médico contínuo.

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