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Capobianco rebate acusações dos EUA e diz que justificativas ambientais para tarifas contra o Brasil são “absolutamente improcedentes”

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou como “absolutamente improcedentes” as alegações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para justificar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Durante entrevista coletiva do governo federal, o ministro afirmou que os argumentos norte-americanos não possuem fundamento técnico nem são sustentados por informações comprováveis.

Segundo Capobianco, as justificativas dos Estados Unidos mudaram ao longo das negociações. Inicialmente, o governo norte-americano alegava que o Brasil vivia um cenário de descontrole do desmatamento, o que justificaria a adoção das medidas comerciais.

O ministro afirmou que o governo brasileiro participou de diversas reuniões técnicas e apresentou documentos, inclusive elaborados com base em análises de instituições independentes, demonstrando os avanços obtidos na preservação da Amazônia.

“Nós reduzimos 50% do desmatamento nos três últimos anos e este ano seguimos reduzindo. Recentemente, tivemos uma queda recorde de 38% no desmatamento em junho, e no primeiro semestre de 2026 registramos o menor índice da última década desde o início do novo monitoramento promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”, destacou.

De acordo com Capobianco, diante da impossibilidade de sustentar a acusação de aumento do desmatamento, os Estados Unidos passaram a afirmar que o Brasil estaria abastecendo o mercado internacional com madeira de origem ilegal, o que, segundo ele, também é falso.

“Essa afirmação é absolutamente inverídica por dois motivos. Primeiro, porque o Brasil participa com apenas 0,65% do mercado internacional de madeira. Segundo, porque a madeira brasileira não concorre com a produzida nos Estados Unidos. Lá, a indústria utiliza principalmente madeira de clima temperado, como o pinus, enquanto o Brasil exporta madeiras tropicais destinadas a outros usos”, explicou.

O ministro também ressaltou que o sistema brasileiro de controle das exportações de madeira está entre os mais rigorosos do mundo. Segundo ele, toda madeira destinada ao mercado externo é certificada e possui rastreabilidade desde a origem na floresta até o embarque nos portos brasileiros.

“No embarque, técnicos do Ibama e da Receita Federal monitoram toda a carga. Não é possível exportar madeira sem a verificação e comprovação da cadeia de custódia. E, mesmo que isso ocorresse, a carga ainda seria retida no porto de destino, onde também há exigência de comprovação da procedência”, afirmou.

Capobianco acrescentou que esse sistema de controle segue padrões internacionais desenvolvidos com apoio das Nações Unidas, tornando o comércio internacional de madeira altamente fiscalizado.

O ministro também rejeitou outra acusação feita pelos Estados Unidos, de que o Brasil teria retirado incentivos para estimular a preservação ambiental.Segundo ele, ocorreu justamente o contrário. Nos últimos três anos, o Conselho Monetário Nacional aprovou quatro resoluções que condicionam o acesso ao crédito rural ao cumprimento da legislação ambiental e oferecem incentivos aos produtores que adotam boas práticas.

“Hoje, quem faz boas práticas no Brasil tem abatimento na taxa de juros. Esse é um incentivo absolutamente fundamental, que está reorientando a atividade agropecuária brasileira para um modelo cada vez mais sustentável”, disse.

Ao encerrar sua participação, Capobianco afirmou que o Ministério do Meio Ambiente recebe “com indignação” a utilização de argumentos que, segundo ele, ignoram os avanços ambientais alcançados pelo Brasil para justificar uma medida comercial.

“É com indignação que vemos todo o trabalho realizado pelo Brasil ser desconsiderado para servir de justificativa a uma taxação ilegítima e absolutamente irregular”, concluiu.

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