Movimentos de luta pela terra realizaram, na manhã desta terça-feira (7), um novo ato em Maceió para protestar contra o despejo de famílias que vivem nas áreas das antigas usinas Laginha e Guaxuma, pertencentes ao antigo Grupo João Lyra. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cerca de cinco mil famílias podem ser afetadas pelas medidas judiciais.
A mobilização teve início com uma marcha pelas ruas do centro da capital e seguiu com a concentração dos manifestantes em frente ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). O protesto amplia a ação iniciada na segunda-feira (6), quando os movimentos passaram a ocupar a área em frente ao Palácio República dos Palmares, sede do Governo de Alagoas.
Participam da mobilização o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Frente Nacional de Luta (FNL), o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento Via do Trabalho (MVT) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT). As organizações defendem a suspensão dos despejos e a destinação das áreas do antigo Grupo João Lyra para a reforma agrária.
De acordo com Marcos Antônio, conhecido como Marron, da Frente Nacional de Luta, as famílias ocupam as terras há mais de dez anos e aguardam uma solução definitiva para a regularização das áreas. Segundo ele, a possibilidade de despejo coloca em risco anos de luta dos trabalhadores rurais.
Além da suspensão das ordens de desocupação, os movimentos reivindicam uma reunião emergencial com o governador Paulo Dantas (MDB), com o presidente da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Cesar Aldrighi, com a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, e com a presidência do Tribunal de Justiça de Alagoas para discutir alternativas para o impasse.
A coordenadora nacional do MST, Margarida da Silva, afirmou que o conflito envolvendo as terras do antigo Grupo João Lyra se estende desde 2016 e que todas as áreas ocupadas permanecem sob ameaça de despejo. Segundo ela, apesar das negociações realizadas ao longo dos últimos anos com os governos estadual e federal, ainda não foi construída uma solução definitiva para garantir a permanência das famílias.
Os movimentos defendem que as propriedades sejam destinadas à reforma agrária e afirmam que a retirada das cerca de cinco mil famílias representaria um grave impacto social para os trabalhadores que vivem e produzem nas áreas ocupadas.
Fonte: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).




