As ladeiras de Olinda voltaram a dançar ao som de um velho conhecido. Sob a lua cheia da noite desta quarta-feira (1º), o aniversário de 80 anos de Alceu Valença fez o tempo parecer frevo: misturou passado, presente e memória em uma celebração que transformou o Sítio Histórico em um grande palco de afetos.
O que começou como um cortejo ganhou contornos de Carnaval fora de época. Centenas de foliões seguiram pelas ruas históricas embalados pela Orquestra Paranampuka, acompanhando um boneco gigante do artista até a Casa Estação da Luz. Foi dali, surgindo na sacada do casarão, que Alceu apareceu para receber o abraço coletivo de um público que parecia conhecer de cor cada verso de sua trajetória.
Durante cerca de uma hora, o cantor conduziu um repertório que atravessa gerações. Bicho Maluco Beleza, Diabo Loiro, Estação da Luz, Morena Tropicana e Anunciação ecoaram entre as fachadas coloridas de Olinda, transformando a noite em uma celebração da música pernambucana. Ao lado dos irmãos Aécio, Delminha e Décio, acompanhou emocionado a multidão que lhe devolveu, em forma de coro, o carinho construído ao longo de décadas.
A festa reservou ainda outro encontro simbólico: a presença do Maestro Duda, aos 90 anos, tornando a homenagem um raro instante em que diferentes gerações da cultura pernambucana dividiram o mesmo cenário.
A celebração foi organizada pela Troça Carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos, em parceria com a Prefeitura de Olinda e a produtora de cinema Yanê Montenegro, esposa do artista. O cortejo reuniu passistas de frevo, porta-estandartes, alas da Pitombeira e representantes da Troça Carnavalesca Ceroula de Olinda e do Bloco Bicho Maluco Beleza, criado em 1993 a partir da canção que se tornou um dos grandes hinos do Carnaval pernambucano.
Como toda boa festa de Olinda, a tradição também desfilou. A Pitombeira lançou uma camisa comemorativa inspirada no modelo de 1978, que voltou aos holofotes após aparecer no filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. Desta vez, a estampa ganhou um novo personagem: o menino de São Bento do Una que fez do vento, do frevo e da poesia um jeito único de cantar o Nordeste.




