Arapiraquense por apenas dez anos, aqui chegando em 1941 (ele nasceu em 27 de junho de 1936) deixando a cidade depois de estudar no Instituto São Luís e no antigo Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho. De Maceió, onde nasceu, foi um andante, percorrendo Recife, Jaboatão (Pe). Mas, nunca esqueceu o pouco tempo de Arapiraca, onde, segundo Zezito Guedes, “jogava pelada na rua Nova, colecionava estampa de sabonete Eucalol, trocava gibis, brincava de mocinho, assistia filmes e seriados no Cine Leão, cantava música de Vicente Celestino.” Pedro Carioca (assim chamado porque passou algum tempo no Rio de Janeiro), foi até goleiro no Santa Cruz do Alto do Cruzeiro, disse o paraibano Zezito.
Nunca esqueceu a cidade que o acolheu menino e no início da juventude, quando, ao lado dos amigos José de Oliveira Leite, Marcos Queiroz, José Ventura, Agapito Gomes, Clesivaldo Leite, Nilson Lira, Neusvaldo Leão, Pedro Kecé, Zezito Guedes, Benedito Ricardo, perambulavam pelas ruas de “terra batida” de Arapiraca.
Depois, algum tempo depois, já membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro (do Recife), da Associação Alagoana de Rádio (tornou-se radialista) membro da Associação Alagoana de Imprensa, ator, teatrólogo, diretor, organizador e dirigente da Fundação Teatro Deodoro, advogado, não esqueceu os amigos e a terra arapiraquense, onde, com o jovem J. Sá (também teatrólogo, ator, artista plástico e migrante), criou o primeiro grupo cênico da cidade.
Mas foi uma de suas dezenas de obras, entre poesias e poemas, que está sua maior homenagem a Arapiraca, nunca esquecida: intitulado de À Sombra das Arapiracas (editora ARTEOPÇÃO LTDA, 1984), o poema de Pedro Onofre retrata vivamente o surgimento de um povo, o arapiraquense:
“Teu destino, ó luso andante, – É esta terra insinuante -Do Nordeste brasileiro, – Que neste país inteiro – Fulgura como um diamante; – É o oásis do viajante; – Onde poetas ditam loas; – É a terra das Alagoas, – Província de Pernambuco, – Bravo berço de Nabuco, – Mas, Província que, em breve, há-de – Conquistar a Liberdade.”
E, mais:
“Tua estância derradeira, – Senhor Teodoro Pereira, – De sobrenome Cortez, – Será, bravo português, – De Penedo, o solo amigo, – Teu sustento e teu abrigo – Onde um dia casarás – E treze filhos terás, – Do quais, prosseguindo a lida – Que foi, por ti, escolhida – Dois irão se destacar – E o futuro edifica.”
E por aí vai a história de Arapiraca, lindamente escrita:
(Padre, emocionado) -“Quem foi Manoel André?” – (Povo)“Fundador do lugar” – (Padre)“Pois que seja abençoado o esforço exemplar, – Que o fez merecedor de todo o respeito!” ,- (Povo)“E que assim seja, amém! Fez jus a esse direito!”(Padre)“Quem foi Manoel André? Quem foi este cristão? – Toca o sino por quem? Por quem o coração – Da gente se constrange?” – (Povo)“Por um gentil amigo – Que jamais nos faltou e quem nos deu abrigo!” – (Padre)“Quem foi Manoel André?” – (Povo)“O pai de Arapiraca”
Sobre o teatrólogo Pedro Onofre, o Pedro Carioca, disse o magistrado Emanoel Fay, no prefácio do livro, em 03 de janeiro de 1984: “Música, canto, dança, elementos indispensáveis a magia de todo verdadeiro poeta, estão, esplendidamente, consubstanciados neste trabalho vivíssimo de grandeza espiritual. ”
O advogado, ator, teatrólogo, radialista, autor, escritor Pedro Onofre de Araújo deixou como legado uma das maiores obras sobre o surgimento do município de Arapiraca. Este, porém, considera-o um desconhecido.

*Jornalista




