Ex-governador sustentou candidatura em resultados de sua gestão, enquanto JHC teve dificuldades para responder a questionamentos sobre segurança, Iprev e gestão pública
O primeiro debate entre Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB) deixou uma impressão política bastante definida: enquanto o ex-governador apresentou sua trajetória administrativa como credencial para voltar ao comando de Alagoas, o ex-prefeito de Maceió teve dificuldades para transformar a crítica ao adversário em respostas objetivas e propostas concretas para o Estado.
Renan entrou no confronto com uma vantagem que explorou durante praticamente todo o programa: a experiência de quem já governou Alagoas por dois mandatos. Em vez de depender apenas de promessas, apresentou como referência obras e políticas realizadas em áreas como saúde, educação, infraestrutura, segurança e equilíbrio fiscal.
A saúde foi um dos exemplos mais fortes. Renan lembrou a construção e regionalização de oito hospitais, incluindo unidades em Maceió e no interior, e anunciou novos investimentos, como os hospitais do Câncer e de Trauma. Na educação, defendeu o Cartão Escola 10 e apresentou uma ampliação do programa. Na segurança, propôs o uso de inteligência artificial no combate ao crime e a criação de uma estrutura integrada de proteção às mulheres.
O contraste apareceu justamente quando JHC tentou atacar o adversário. Em diferentes momentos, o ex-prefeito respondeu a perguntas sobre um determinado tema levando a discussão para outro. Quando cobrado sobre segurança, falou principalmente de saúde. Em discussões sobre educação e gestão pública, também recorreu repetidamente a críticas ao grupo político dos Calheiros.
No entanto, ao ser criticado pelas aplicações de recursos previdenciários de Maceió no Banco Master e pelas possíveis consequências para os aposentados, JHC pediu direito de resposta, que foi concedido. Em sua manifestação, defendeu o crescimento patrimonial do fundo, mas não respondeu de forma específica às críticas relacionadas aos investimentos realizados no banco.
A mesma dificuldade apareceu quando Renan mencionou a situação do secretário municipal da Fazenda, citado no contexto das investigações e com bens bloqueados. JHC preferiu calar.
O debate mostrou que JHC apostou fortemente na desconstrução do adversário. Renan, por sua vez, conseguiu manter o foco em uma mensagem mais simples: já governou, realizou obras, conhece a estrutura do Estado e apresenta novos projetos para uma eventual terceira gestão.
Mesmo quando o confronto descambou para ataques pessoais — com referências à aparência — Renan procurou recolocar a discussão na experiência administrativa e na capacidade de governar.
Ao final, a diferença de estratégia ficou evidente. JHC tentou transformar a eleição em uma disputa entre mudança e o grupo político tradicional de Alagoas. O argumento, porém, carrega uma contradição: sua própria família tem longa trajetória na política alagoana, e o próprio JHC está há anos no cenário eleitoral. Foi deputado estadual, deputado federal e prefeito de Maceió por dois mandatos antes de deixar o cargo para disputar o governo do Estado.
Renan, por sua vez, buscou fazer da eleição uma comparação entre administrações e resultados. Em vez de se apresentar como novidade, sustentou sua candidatura na experiência acumulada como governador por dois mandatos e ministro, nas obras e políticas públicas realizadas e em novas propostas para Alagoas. É assim conseguiu explorar justamente aquilo que considera seu principal patrimônio eleitoral.




