Presidente deve visitar o Estado entre 15 e 20 de setembro; pesquisa Quaest mostra que apoio de Lula tem peso na decisão de parte significativa do eleitorado alagoano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá desembarcar em Alagoas entre os dias 15 e 20 de setembro para participar de uma agenda de campanha ao lado dos principais aliados de sua base política no Estado. A informação foi confirmada à Gazeta pelo presidente estadual do PT, deputado estadual Ronaldo Medeiros, que informou que a programação está sendo construída em conjunto com o MDB.
A visita ocorrerá em um momento particularmente estratégico da eleição alagoana. Lula chegará ao Estado não apenas como candidato à Presidência, mas como um dos principais cabos eleitorais do grupo que apoia Renan Filho (MDB) na disputa pelo Governo de Alagoas e Renan Calheiros (MDB) e Dr. Wanderley (MDB) na corrida pelo Senado.
A previsão inicial é de que o presidente cumpra um compromisso em Maceió, mas a agenda ainda poderá ser ampliada para outras regiões do Estado. A articulação também leva em consideração a possibilidade de Lula aproveitar a passagem por Alagoas para cumprir compromissos em outros estados nordestinos, região onde mantém uma de suas bases eleitorais mais importantes.
A presença do presidente será, portanto, cuidadosamente explorada pela aliança governista. Além de Renan Filho, Renan Calheiros e Dr. Wanderley, Lula deverá ser recepcionado pelo governador Paulo Dantas (MDB) e dividir o palanque com candidatos proporcionais e lideranças dos partidos que integram a coligação “Pra Alagoas fazer História de Novo”, encabeçada pelo MDB.
Pesquisa mostra força de Lula entre os alagoanos
Os números da mais recente pesquisa Quaest ajudam a explicar por que a presença de Lula é considerada eleitoralmente relevante para o grupo de Renan Filho.No levantamento realizado entre 20 e 23 de agosto, com 804 eleitores, Lula aparece com 44% das intenções de voto para presidente em Alagoas, contra 29% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de 15 pontos percentuais coloca o petista em posição confortável no Estado.
A avaliação do governo federal também apresenta saldo favorável entre os alagoanos: 52% aprovam a administração Lula. Na avaliação qualitativa, 43% consideram o governo positivo. Mais significativo para a disputa estadual, entretanto, é o comportamento do eleitor diante dos apoios nacionais. 42% dos entrevistados afirmam preferir que o próximo governador de Alagoas seja aliado de Lula, enquanto apenas 22% escolheriam um governador alinhado a Flávio Bolsonaro.
A própria pesquisa mediu diretamente o efeito do apoio presidencial. Para 30% dos alagoanos, o apoio de Lula aumenta a possibilidade de votar em determinado candidato.
Renan Filho aparece numericamente à frente
É nesse ambiente que se encontra a disputa pelo Governo de Alagoas. Na mesma pesquisa Quaest, Renan Filho aparece com 42% das intenções de voto, contra 40% de JHC (PSDB). Lenilda Luna (UP) tem 1%, enquanto os demais nomes não alcançam 1%. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca os dois principais candidatos em empate técnico.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Renan Filho registra 17%, contra 16% de JHC. Em uma simulação de segundo turno, os dois também aparecem empatados em 42%.
Os números não permitem afirmar que a posição de Renan Filho seja resultado exclusivamente do apoio de Lula. A disputa estadual envolve também a força política do MDB, a estrutura da aliança governista, a avaliação da administração estadual e a própria trajetória do candidato. Mas a pesquisa mostra que a associação com Lula não é um fator eleitoralmente neutro em Alagoas.
Um palanque com dimensão nacional
A visita prevista para setembro deverá transformar o apoio de Lula em uma demonstração pública de força da aliança formada em torno de Renan Filho.
Além da disputa pelo governo, o presidente deverá reforçar os nomes de Renan Calheiros e Dr. Wanderley para o Senado e reunir no mesmo palanque o governador Paulo Dantas, candidatos proporcionais e dirigentes das legendas que compõem a coligação.
A passagem de Lula também terá um significado nacional. Com a eleição presidencial já em andamento, Alagoas tornou-se um dos primeiros estados nordestinos a receber diferentes candidatos ao Palácio do Planalto. Antes de Lula, Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Samara Martins (UP) já estiveram em Maceió em movimentos de campanha que anteciparam no Estado a disputa nacional.
O desembarque de Lula, portanto, deverá ser mais do que uma visita de campanha. Será uma tentativa de transformar a vantagem que o presidente mantém entre os eleitores alagoanos em capital político para seus aliados na eleição estadual.
E os números da Quaest mostram que existe espaço para essa estratégia: Lula lidera a corrida presidencial no Estado, é aprovado por mais da metade dos entrevistados e 42% dos eleitores dizem preferir um governador alinhado ao presidente.




