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Mais renda, mais emprego e mais escolaridade: o que mudou no Brasil

Rendimento médio do trabalhador chegou a R$ 3.738 no trimestre encerrado em junho, quase 13% acima do registrado no fim de 2022; valorização do salário mínimo, recuperação econômica e expansão educacional ajudam a explicar o avanço.

A renda dos trabalhadores brasileiros avançou durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a política de valorização do salário mínimo, a melhora do mercado de trabalho e o crescimento da economia. Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, o rendimento médio real chegou a R$ 3.738 no trimestre encerrado em junho de 2026, quase 13% acima dos R$ 3.310 registrados nos três últimos meses de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) ainda ocupava a Presidência.

A comparação coloca lado a lado dois momentos distintos da economia brasileira. No fim de 2022, o mercado de trabalho ainda buscava se recuperar dos efeitos da pandemia, que havia provocado perdas expressivas de emprego e renda. O menor rendimento da série histórica foi registrado no trimestre encerrado em dezembro de 2021, quando o valor médio chegou a R$ 3.061.

Desde então, a renda iniciou uma trajetória de recuperação acompanhada pelo desempenho positivo do Produto Interno Bruto (PIB). A expansão da atividade econômica aumentou a demanda por trabalhadores e ajudou a elevar os ganhos salariais.

O avanço também aparece na comparação com o ano anterior. No trimestre encerrado em junho, o rendimento médio de R$ 3.738 cresceu 2,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando estava em R$ 3.635. O ritmo, porém, vem desacelerando: a alta havia sido de 3,3% em 2025, 5,7% em 2024 e 6,2% em 2023, sempre na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a evolução da renda também precisa ser analisada a partir de uma transformação estrutural ocorrida nas últimas décadas: o aumento da escolaridade da população brasileira. Essa mudança foi favorecida pela expansão do acesso ao ensino superior e à educação técnica, durante os governos do Partido dos Trabalhadores, com iniciativas como o Prouni e o Reuni, a criação e interiorização de universidades federais e a expansão dos institutos federais.

O aumento da escolaridade ampliou a qualificação da força de trabalho e contribuiu para a elevação dos rendimentos em relação aos primeiros anos da série histórica. Trata-se, portanto, de um processo no qual as políticas de expansão educacional adotadas nas administrações petistas tiveram participação importante.

O resultado, assim, não pode ser explicado por uma única medida. A recuperação da renda reúne fatores como a retomada da economia depois da pandemia, o comportamento positivo do mercado de trabalho, a política de valorização do salário mínimo e um processo mais longo de ampliação da escolaridade dos brasileiros.

O desempenho chega às vésperas das eleições de outubro com evidente peso político. Para os apoiadores de Lula, os números reforçam a percepção de que a melhora das condições econômicas dos trabalhadores é uma das marcas de seu terceiro mandato. E os dados da Pnad oferecem um elemento objetivo para essa leitura: depois de atingir o menor nível da série no fim de 2021, o rendimento médio voltou a crescer e chegou, em junho de 2026, a um patamar quase 13% superior ao registrado no final de 2022.

gráfico: IBGE

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