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Botafogo vence, mas deixa Sul-Americana sob vaias e com sinais de mudança

Vitória por 1 a 0 sobre o Cienciano não foi suficiente para reverter goleada sofrida em Cusco; eliminação por 6 a 2 no agregado aconteceu diante do novo investidor, Gabriel de Alba

O Botafogo se despediu da Copa Sul-Americana com uma vitória que pouco amenizou a frustração pela eliminação. Na noite desta quinta-feira, no Nilton Santos, o time carioca derrotou o Cienciano por 1 a 0, mas não conseguiu sequer se aproximar da vantagem construída pelos peruanos no jogo de ida. No placar agregado, os visitantes avançaram às custas de um 6 a 2.

A partida, no entanto, deixou uma sensação incômoda para o Botafogo: havia espaço para uma atuação muito mais convincente. A equipe criou oportunidades suficientes para construir um resultado mais elástico, principalmente no primeiro tempo, mas pecou nas finalizações. Depois do intervalo, o ritmo caiu, a ansiedade aumentou e o time já não apresentou o mesmo volume ofensivo.

A eliminação ocorreu sob os olhares de Gabriel de Alba, empresário mexicano que será o acionista majoritário do clube. Foi o primeiro contato oficial do futuro investidor com jogadores e torcedores, justamente em uma partida que expôs problemas que devem entrar na pauta da nova administração.

Primeiro tempo com chances desperdiçadas

O Botafogo começou a partida pressionado pela necessidade de buscar um resultado praticamente improvável. Ainda assim, conseguiu abrir o placar rapidamente.

Aos sete minutos, depois de um início marcado por nervosismo e pouca agressividade ofensiva, Montoro encontrou Danilo Pereira com um belo lançamento. O camisa 9 aproveitou uma falha do goleiro do Cienciano e tocou para as redes.

O gol trouxe tranquilidade e fez o Botafogo crescer. Aos 36 minutos, Danilo chegou a marcar novamente, mas o lance foi invalidado após toque de mão do volante antes da conclusão.

O grande personagem ofensivo da primeira etapa, porém, foi Arthur Cabral. O atacante teve três oportunidades claras e desperdiçou uma delas de maneira especialmente impressionante. Alex Telles e Vitinho também chegaram perto de ampliar, em jogadas que tiveram Montoro como um dos principais articuladores.

Os números mostravam a superioridade alvinegra: 62% de posse de bola e dez finalizações antes do intervalo. O problema era a comparação inevitável com o primeiro jogo, quando o Cienciano já havia construído uma vantagem de 4 a 0 nos primeiros 45 minutos em Cusco.

Ritmo cai e arquibancada perde a paciência

Rodrigo Bellão voltou para o segundo tempo com Junior Santos no lugar de Huguinho. Ainda antes do intervalo, Gabriel Batista havia entrado na vaga de Warleson, que precisou deixar o campo após cortar o queixo.

Aos quatro minutos, o Botafogo teve um momento que poderia reacender a esperança. Alex Telles sofreu pênalti, mas a paralisação se prolongou por quase seis minutos até a revisão do lance. O árbitro identificou uma falta de Vitinho na origem da jogada e anulou a penalidade.

Pouco depois, Alex Telles teve nova oportunidade, desta vez em chute da entrada da área, mas mandou a bola para fora.

A intensidade, porém, foi diminuindo. Aos 18 minutos, Bellão promoveu duas mudanças: Danilo deixou o campo sob fortes vaias para a entrada de Edenílson, enquanto Danilo Pereira, um dos destaques da noite, foi substituído por Kadir.

A troca de Danilo chamou atenção porque o jogador, que meses atrás era apontado como um dos principais nomes do elenco, atravessa uma fase de queda de rendimento desde o retorno da Copa. O atleta já manifestou publicamente o desejo de deixar o clube e passou a receber críticas mais contundentes das arquibancadas.

“Time sem vergonha” e cobrança por reação

Com o relógio avançando e a classificação cada vez mais distante, o Botafogo perdeu intensidade. O time passou a demonstrar mais ansiedade do que organização e praticamente abandonou a possibilidade de uma reação histórica.

A torcida também não poupou críticas. Além das vaias direcionadas a Danilo, o elenco ouviu gritos de “time sem vergonha” durante a partida. Ao final, as manifestações ficaram ainda mais fortes, com a arquibancada entoando “vergonha, vergonha, time sem vergonha”.

O resultado positivo acabou servindo apenas para encerrar a campanha continental com uma vitória. A desvantagem construída no Peru havia deixado a missão praticamente impossível, e o Botafogo não conseguiu transformar o domínio inicial em uma goleada capaz de recolocar a equipe na disputa.

Gabriel de Alba acompanha primeiro jogo

A presença de Gabriel de Alba adicionou um componente simbólico à noite. O mexicano, que será o acionista majoritário do Botafogo, acompanhou de perto uma partida que expôs tanto o potencial quanto as fragilidades do elenco.

A eliminação deve funcionar como um dos parâmetros para as mudanças que serão implementadas no clube. A nova gestão terá pela frente não apenas a tarefa de reformular o time, mas também a construção de uma identidade esportiva para uma nova etapa do Botafogo.

Fora da Sul-Americana, resta ao clube concentrar forças no Campeonato Brasileiro. O objetivo agora é terminar a temporada com uma vaga na próxima edição da Libertadores e, a partir disso, iniciar 2027 sob uma perspectiva diferente.

A vitória sobre o Cienciano mostrou que o Botafogo tinha condições de produzir mais. A eliminação, as vaias e a cobrança da torcida, por outro lado, deixaram claro que a reconstrução terá de passar por decisões importantes dentro e fora de campo.

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