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Risco-país da Argentina volta a superar 500 pontos e amplia pressão sobre mercado

A percepção de risco em relação à economia argentina voltou a se deteriorar na terça-feira (18). O risco-país, calculado pelo JPMorgan, ultrapassou novamente a marca de 500 pontos e encerrou o dia em 506 pontos básicos, avanço de 18 pontos, ou cerca de 3,5%. É o maior nível registrado desde 26 de maio.

O movimento reforça a cautela dos investidores com os ativos argentinos. Em meados de julho, o indicador havia recuado para aproximadamente 402 pontos, menor patamar registrado durante o governo do presidente Javier Milei. Desde então, porém, iniciou uma trajetória de alta e acumula aumento superior a 60 pontos somente em agosto, segundo cálculos da plataforma Rava Bursátil.

A pressão também atingiu os títulos da dívida argentina negociados em dólar. Os Bonares e os Globales tiveram queda média de 0,9% na sessão. Entre os papéis mais afetados, o Bonar 2035 e o Global 2046 chegaram a registrar perdas próximas de 2%.

Na Bolsa de Buenos Aires, o cenário também foi negativo. O índice S&P Merval, principal referência do mercado acionário argentino, recuou cerca de 1% nesta terça-feira, para 2,92 milhões de pontos.

Quando considerada a cotação em dólar, a deterioração é ainda mais acentuada. Até sexta-feira (14), o Merval acumulava perda de 10,6% em agosto. Os ADRs de empresas argentinas negociados em Nova York também registraram quedas expressivas, com alguns papéis acumulando desvalorização de até 18% no mês.

O setor financeiro está entre os mais pressionados. O Banco Macro, por exemplo, perdeu mais de 10% de seu valor em apenas uma semana.

A reação negativa dos mercados ocorre mesmo com resultados empresariais considerados positivos. YPF e Pampa Energía divulgaram lucros por ação mais de 40% superiores às projeções dos analistas. Ternium e Telecom também apresentaram resultados acima das expectativas.

O comportamento dos ativos sugere que, no atual momento, as condições macroeconômicas e o risco associado à Argentina têm pesado mais nas decisões dos investidores do que o desempenho isolado das empresas.

Cenário externo aumenta pressão

A piora dos ativos argentinos também está relacionada ao ambiente internacional. A alta dos juros de longo prazo nas principais economias reduziu a disposição dos investidores para assumir riscos em mercados emergentes. Bolsas internacionais registraram perdas, enquanto os rendimentos dos títulos de longo prazo avançaram.

Ao mesmo tempo, os preços do petróleo permaneceram pressionados em meio às incertezas provocadas pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio.Para a Argentina, a combinação de um ambiente externo menos favorável com questões domésticas aumenta o prêmio exigido pelos investidores para manter recursos aplicados em ativos do país.

Entre os fatores de preocupação apontados pela Fundação Mediterránea estão o nível das reservas internacionais, as restrições aos fluxos internacionais de capitais e o histórico argentino de episódios de inadimplência.

Crédito mais caro

A ultrapassagem dos 500 pontos no risco-país representa um desafio para a Argentina em sua tentativa de recuperar acesso ao mercado internacional de crédito em condições mais favoráveis.

O indicador do JPMorgan funciona como uma referência do prêmio exigido pelos investidores para financiar um país em relação aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Quanto maior a pontuação, maior tende a ser o custo para o governo captar recursos no mercado.

A combinação de queda das ações e dos títulos soberanos, pressão sobre as reservas, condições internacionais menos favoráveis e dúvidas sobre a trajetória da política econômica mantém os investidores em estado de cautela diante dos ativos argentinos.

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