Elas não moravam ao redor da praça Marques da Silva, aliás, elas eram dos lados da rua do Sol, distância mais ou menos uns três quilômetros da praça. Pareciam ser residentes do logradouro, pois todas as sextas, sábados, domingos, feriados e dias santos elas passeavam na passarela da praça. Sempre no sentido horário.
Seus nomes? Nunca soube!
Contudo, conhecidíssimas de todos, moradores e/ou frequentadores, uma escada – a mais velha, que não tinha mais que 22 anos, era a maior; a mais nova, um pouco acima dos 14 anos. As três, uma escada.
Uma pessoa amiga, não me lembro quem, disse-me uma vez que os nomes se referiam às três jovens que sempre “abriam” e “fechavam” os desfiles nas noites estreladas da praça Marques da Silva.
De vestidos rodados, um pouco abaixo do joelho, andavam de mãos dadas, sempre sozinhas. Iniciavam o périplo (assim posso dizer?) logo cedinho, aí pelas 19,00 horas e iam até as 21,00 horas (algumas vezes, mais), quase na hora do término das sessões do cinema Trianon.
Chave, Chavinha, Chaveta (sem qualquer menosprezo) foram os nomes que todos demos a elas, nomes inocentes, que simplesmente as identificavam. Eu, que aqui cheguei desde os tempos de 1956, e morador da avenida Rio Branco, passei a procurá-las sempre nos dias citados e olhava com carinho aquela escadinha, da menor para a maior.
Nunca me cansei de olhá-las: eu, sempre sisudo; elas, cheias de alegria. Altivas, sempre!
Nunca procurei saber seus verdadeiros nomes, suas origens. Para mim, só em vê-las caminhando ao redor da praça, silenciosas, e ao som da fonte luminosa, sérias, porém, mas como que rindo, me alegra a memória ainda hoje. Alegra-me e quase me faz chorar.
Que saudades da Chave, da Chavinha e da Chaveta!
*Jornalista




