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Senador confronta indicado de Trump: “Quem perde mais se o Brasil retaliar?”

A política tarifária do governo Donald Trump em relação ao Brasil foi colocada em xeque durante a sabatina de Daniel Perez, indicado pelo presidente americano para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Presidente da Câmara dos Representantes da Flórida e advogado, Perez é filho de imigrantes cubanos e ainda precisa ter sua nomeação aprovada pelo Senado para assumir o posto diplomático.

O momento de maior repercussão da audiência ocorreu quando o senador democrata Tim Kaine questionou diretamente os efeitos de uma eventual retaliação brasileira às tarifas de 25% impostas por Washington.

A pergunta foi objetiva: quem perderia mais se o Brasil respondesse com uma tarifa de 25% sobre os produtos americanos?

Daniel Perez evitou dar uma resposta direta. Disse que as tarifas haviam sido anunciadas recentemente e que seria precipitado afirmar, naquele momento, qual dos dois países sofreria mais impactos. Em vez de fazer uma projeção, limitou-se a afirmar que seria necessário acompanhar os desdobramentos da medida.

Antes desse questionamento, Kaine já havia conduzido Perez a reconhecer que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação com o Brasil. O senador perguntou se, matematicamente, os EUA registram um grande superávit comercial com o país sul-americano, e o indicado respondeu que sim, admitindo que os dados mostram saldo favorável aos americanos.

Na réplica, Kaine usou justamente essa admissão para contestar a lógica das tarifas impostas pelo governo Trump.

“Se nós impomos uma tarifa de 25% sobre eles e eles respondem com uma tarifa de 25% sobre nós, não é a mesma coisa”, afirmou o senador.

Segundo Kaine, como os Estados Unidos exportam mais para o Brasil do que importam do país, uma eventual retaliação brasileira atingiria um volume maior de produtos americanos. Na avaliação do parlamentar, a medida poderia prejudicar exportadores dos EUA, empresas que atuam no mercado brasileiro e ainda elevar custos para consumidores americanos.

Ao longo da audiência, Perez também foi questionado sobre a justificativa para as tarifas anunciadas pela Casa Branca. Embora tenha reconhecido que os Estados Unidos mantêm superávit comercial de bens com o Brasil, afirmou que a decisão do governo Trump não se baseia apenas no saldo da balança comercial.

Segundo o indicado, Washington também considera fatores como barreiras regulatórias, restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro e questões ligadas à propriedade intelectual. Na avaliação dele, esses elementos justificam o uso das tarifas como instrumento de negociação.

A troca de argumentos evidenciou as divergências dentro do próprio Senado americano sobre a política comercial da administração Trump. Enquanto aliados do presidente defendem as tarifas como forma de pressionar parceiros comerciais, críticos afirmam que uma reação brasileira poderá atingir diretamente empresas e consumidores dos Estados Unidos.

A audiência ocorreu em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasília e Washington, após a imposição de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros. O governo brasileiro considera a medida injustificada e já sinalizou que poderá adotar medidas de reciprocidade, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja avanço nas negociações.

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