Em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, afirmou que o governo federal continuará apoiando as empresas nacionais na busca por novos mercados e garantiu que o Brasil não aceitará acordos que comprometam a soberania nacional ou os interesses do setor produtivo.
Segundo o ministro, atualmente cerca de 2.400 empresas brasileiras exportam para os Estados Unidos, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Dessas, 74% já iniciaram um processo de diversificação de mercados com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
“Não significa que elas estejam substituindo o mercado norte-americano, que não é uma tarefa fácil, mas elas estão diversificando o mercado e nós vamos continuar nesse processo de diversificação”, afirmou.
Márcio Rosa destacou ainda que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4%, refletindo o avanço da estratégia de ampliar a presença do país em outros mercados.
O ministro informou que os setores mais afetados pelas novas medidas terão atendimento prioritário do governo federal, seguindo o modelo adotado nos programas Brasil Soberano 1 e Brasil Soberano 2.
De acordo com ele, a nova tarifa anunciada pelos Estados Unidos atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os dados de 2024, antes do início do chamado “tarifaço”. Com base nas exportações de 2025, esse percentual cai para 15%, correspondendo a aproximadamente US$ 5,8 bilhões.
As novas tarifas entram em vigor no próximo dia 22 de julho, enquanto as medidas relacionadas aos suplementos passam a valer em 29 de julho. Até essas datas, não haverá incidência da sobretaxa de 10%.
O ministro também detalhou o impacto das diferentes medidas comerciais sobre a pauta exportadora brasileira. Segundo ele, 57% das exportações para os Estados Unidos permanecem sem novas restrições, enquanto 24% já estão submetidas às tarifas da Seção 232, que atingem principalmente os setores de aço e automóveis. Com a inclusão das medidas previstas na Seção 301, outros 18% passam a ser alcançados pelas restrições.
Ao comentar as negociações com o governo norte-americano, Márcio Rosa afirmou que o Brasil participou intensamente das tratativas desde antes das viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Malásia e aos Estados Unidos. Nas últimas cinco semanas, segundo ele, foram realizadas reuniões de alto nível a cada dez dias, além de encontros técnicos e da apresentação de documentos preparados pelo Ministério das Relações Exteriores com informações relacionadas à investigação conduzida no âmbito da Seção 301.
A última reunião ocorreu na terça-feira. O ministro ressaltou que, em todas as conversas, o governo brasileiro deixou claros os pontos considerados inegociáveis, especialmente aqueles ligados à soberania nacional, como a preservação do Pix e a proteção da indústria brasileira.
Segundo Márcio Rosa, durante as negociações os Estados Unidos defenderam medidas como a abertura total do mercado brasileiro de bens manufaturados, a redução a zero das tarifas para produtos industriais e maior acesso ao mercado automotivo brasileiro.
“É óbvio que nessas discussões de altíssimo nível técnico nós vamos deixar claro que o governo do presidente Lula e o governo brasileiro jamais celebrarão qualquer tipo de acordo que possa representar a violação dos interesses do país e do setor produtivo”, afirmou o ministro.




