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Mbappé é queimado em festival no Paraguai e volta a ser atacado por senadora

A eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final da Copa do Mundo desencadeou uma série de desdobramentos que colocaram Kylian Mbappé no centro de uma polêmica que ultrapassou o futebol. Após a vitória francesa por 1 a 0, o atacante virou alvo de um protesto simbólico durante uma tradicional festa popular paraguaia e, dias depois, voltou a ser alvo de ataques da senadora Celeste Amarilla.

No sábado (4), horas depois da partida, um boneco representando Mbappé foi queimado durante as festividades do San Juan Ára, no Centro Histórico de Assunção. A ação integrou o tradicional Judas Kái, ritual em que um boneco simbolizando uma personalidade rejeitada ou impopular é incendiado diante do público. Imagens da cerimônia viralizaram nas redes sociais e repercutiram na imprensa internacional.

A escolha do jogador francês foi motivada pelos acontecimentos do confronto entre as duas seleções. A França garantiu a vaga nas quartas de final com um gol de pênalti de Mbappé em um duelo marcado por forte disputa física, muitas faltas, provocações e poucas oportunidades claras de gol.

Durante a partida, o atacante demonstrou irritação com a postura dos paraguaios. Depois de abrir o placar, passou a responder às provocações em campo com gestos de deboche, enquanto outros jogadores franceses também adotaram uma postura mais ríspida nos minutos finais. Após o apito final, Mbappé afirmou que a seleção francesa também sabia praticar o chamado “futebol sujo”, em referência ao estilo de jogo apresentado pelo adversário.

A controvérsia ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8), quando a senadora paraguaia Celeste Amarilla voltou a criticar o atacante durante uma sessão ordinária do Senado. Ao comentar um suposto episódio ocorrido após o jogo, ela afirmou que o goleiro Orlando Gill tentou cumprimentar Mbappé, mas teve o gesto ignorado. A parlamentar também voltou a questionar a nacionalidade do atacante, sustentando que sua atitude não representaria os valores da França.

Antes de abordar o episódio, Amarilla exaltou costumes que considera característicos do povo paraguaio, como cumprimentar as pessoas, desejar bom dia e demonstrar respeito aos mais velhos. Segundo ela, Gill teria agido com humildade ao tentar saudar o francês depois da partida.

O pronunciamento representa a primeira manifestação pública da senadora desde as publicações feitas nas redes sociais após a eliminação do Paraguai. Na ocasião, Amarilla fez comentários ofensivos sobre a origem e a aparência de Mbappé, utilizando expressões classificadas como racistas e que provocaram forte repercussão internacional.

As declarações foram rebatidas pelo atacante, que classificou a parlamentar como desprezível e incompatível com o cargo que ocupa. A Federação Francesa de Futebol, o governo da França e o Real Madrid, clube de Mbappé, também condenaram os ataques.

Mesmo após a repercussão negativa, Celeste Amarilla manteve as críticas ao jogador e chegou a acusá-lo de violência de gênero por responder publicamente às ofensas. A senadora afirmou ainda que estuda adotar medidas judiciais contra o atacante francês.Com o protesto durante o San Juan Ára e a escalada das declarações da parlamentar, a rivalidade provocada pelo duelo das oitavas de final transformou-se em um episódio de repercussão política e diplomática, mantendo Mbappé no centro das atenções dentro e fora do Paraguai.

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