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Jaques Wagner se afasta da liderança do governo no Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) o afastamento da liderança do governo no Senado, poucos dias após ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e outros agentes do mercado financeiro.

A decisão foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no Palácio da Alvorada. Após o encontro, ficou definido que Wagner deixará temporariamente a função de líder do governo para se dedicar à sua defesa e às articulações políticas visando as eleições de 2026.

O parlamentar afirmou que pretende concentrar esforços para demonstrar sua inocência e atuar nas campanhas pela reeleição de Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), além de seu próprio projeto de reeleição ao Senado ao lado do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Na última quinta-feira (18), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Salvador e Brasília. Os investigadores apontam Wagner como um possível beneficiário de vantagens econômicas supostamente relacionadas ao esquema investigado.

Segundo a apuração, o senador mantém relação próxima com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição financeira que também acabou liquidada pelo Banco Central.

A PF busca esclarecer se houve pagamentos e benefícios concedidos ao parlamentar em troca de apoio a medidas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Entre os fatos investigados estão a chamada “Emenda Master”, a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador e movimentações financeiras que teriam alcançado cerca de R$ 3,5 milhões em nome de familiares do senador.

A defesa de Jaques Wagner contesta as acusações e afirma que a investigação contém “erros graves”. Os advogados sustentam que o senador jamais atuou no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master ou qualquer outra instituição financeira e negam a prática de irregularidades.

Com o afastamento de Wagner, o Palácio do Planalto já avalia possíveis nomes para assumir a liderança do governo no Senado. Entre os mais cotados estão os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE).

Camilo, que comandou o Ministério da Educação no atual governo e mantém relação próxima com Lula, é visto como um nome de confiança do presidente. Já Teresa, atual líder do PT no Senado, é considerada uma parlamentar com bom trânsito entre governistas e integrantes da oposição.

Os dois parlamentares não devem disputar as eleições deste ano, fator que, segundo interlocutores do governo, permitiria maior dedicação às negociações políticas e à articulação da base governista na Casa.

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