A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026 ultrapassou as fronteiras brasileiras e passou a inspirar movimentos progressistas em diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos, ativistas e lideranças democratas apontam a experiência brasileira como exemplo de mobilização popular e participação eleitoral para enfrentar forças conservadoras.
Um dos que destacam essa influência é Felipe Sousa-Lazaballet, brasileiro de 40 anos eleito deputado estadual na Flórida pelo Partido Democrata. Nascido no Rio de Janeiro e criado em uma família pobre em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, ele considera que a reeleição de Lula renovou a esperança de setores progressistas americanos.
Em entrevista à TV Globo, Felipe afirmou que a participação dos brasileiros no segundo turno demonstrou a capacidade do voto de produzir mudanças políticas.
“Os brasileiros mostraram para o mundo inteiro que é possível vencer contra a direita através de sair e votar. E essa nova esperança chegou nos corações de vários progressistas pelo mundo inteiro, inclusive aqui”, declarou.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, realizado em 25 de outubro. A participação popular também se destacou pela queda da abstenção, que passou de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi a menor taxa desde 2006.
O bordão de Janones atravessa fronteiras

A repercussão da campanha brasileira também chegou às redes sociais americanas. Nesta quarta-feira (4), depois das vitórias históricas do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, o ativista político Isaiah Martin publicou uma mensagem que chamou a atenção dos brasileiros.
“Obrigado aos brasileiros, vocês nos mostraram o caminho”, escreveu no X. Na mesma publicação, utilizou o bordão “Explode!”, popularizado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG) durante a campanha que reelegeu Lula.
Na véspera da votação americana, Martin já havia convocado seus seguidores a se inspirarem na mobilização brasileira: “Vote como um brasileiro hoje! EXPLODE!”, publicou.
A referência não foi isolada. Ativistas e influenciadores progressistas americanos passaram a citar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) como exemplo de enfrentamento político nas urnas contra o campo conservador ligado ao presidente Donald Trump.
Mais do que reproduzir palavras de ordem, os americanos também incorporaram estratégias utilizadas na campanha brasileira. Entre as orientações compartilhadas estão conversar com familiares e vizinhos, organizar caronas para os locais de votação e estimular a participação de eleitores que costumam se ausentar das eleições.
Janones comemorou a repercussão internacional de seu bordão. Ao compartilhar as publicações de Isaiah Martin em um grupo de mensagens ligado ao Exército do Lula, rede de mobilização digital criada durante a campanha presidencial, o deputado resumiu: “Somos internacionais”.

A vitória passou, a mobilização precisa continuar
Se a experiência brasileira agora inspira progressistas em outros países, o desafio dentro do Brasil é transformar a força demonstrada nas urnas em participação política permanente.
A mobilização não pode desaparecer com o encerramento da disputa eleitoral. É no Congresso Nacional, por meio de votações e decisões legislativas, que também se definem questões fundamentais para o futuro do país, os direitos da população e a continuidade das políticas públicas.
Por isso, acompanhar o trabalho dos parlamentares, cobrar posicionamentos e participar do debate público é tão importante quanto comparecer às urnas. O apoio popular conquistado por Lula não representa um cheque em branco. Está diretamente ligado aos compromissos assumidos durante a campanha e às expectativas que levaram milhões de brasileiros a confiar novamente seu voto ao presidente.
É justamente essa mensagem que precisa estar presente na transmissão ao vivo desta quinta-feira (5), quando Lula participará de uma live em seu canal no YouTube, ao lado do deputado André Janones e de integrantes do Exército do Lula.
Mais do que celebrar a vitória, a mobilização deve reafirmar que a confiança depositada nas urnas precisa ser correspondida por ações concretas. O governo tem compromissos a cumprir, e sua base popular tem o direito — e a responsabilidade democrática — de acompanhar, cobrar e defender a realização do projeto apresentado aos brasileiros.




