O senador Renan Calheiros cobrou nesta terça-feira (9) que o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), se pronuncie sobre os R$ 117 milhões investidos pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master durante sua gestão.
A cobrança ocorreu durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, após críticas feitas pela senadora Eudócia Caldas, mãe de JHC. Em resposta, Renan afirmou que o ex-prefeito nunca apresentou explicações públicas sobre as operações realizadas com recursos da previdência municipal.
“Estamos mais uma vez vendo a senadora Eudócia Caldas fazendo esse esforço hercúleo para defender um filho que não fala. Ele nunca disse nada sobre as operações do Master. Nunca falou nada. Eu não tenho nenhuma pergunta a fazer à senhora como senadora e como mãe. Tenho muitas perguntas a fazer a ele”, declarou.
Na sequência, o senador pediu que a parlamentar incentive o filho a se manifestar sobre o caso.
“Peço até que a senhora o recomende a falar, a fazer a parte dele, a cumprir o seu papel. Se for preciso, repreenda-o. Quem levou o Master a realizar negócios com a Prefeitura de Maceió e com o seu Fundo de Previdência? Quem ressarcirá os prejuízos dos aposentados do Fundo de Previdência de Maceió?”, questionou.

Renan também afirmou que os responsáveis por eventuais irregularidades terão de responder pelos prejuízos causados ao patrimônio previdenciário do município, ressaltando que os recursos pertencem a aposentados, pensionistas e servidores da ativa.
“A senhora que me desculpe, mas isso vai acontecer. E se a senhora dispõe de alguma informação, dados sobre mim ou sobre qualquer senador, é um dever da senhora como senadora da República e como cidadã procurar as autoridades com uma notícia-crime. Fazer o que eu fiz com relação ao escândalo do Iprev de Maceió”, afirmou.
As declarações foram feitas poucos dias após o senador ingressar na Justiça com uma ação popular contra a Prefeitura de Maceió, JHC, ex-dirigentes do Iprev, o Banco Master e outros envolvidos nas operações financeiras que somam aproximadamente R$ 117 milhões.
A ação pede a anulação dos investimentos realizados pelo instituto previdenciário e a recuperação integral dos recursos pertencentes aos aposentados, pensionistas e servidores municipais.
Segundo o processo, Maceió se tornou o município com a maior exposição financeira ao Banco Master entre os regimes próprios de previdência analisados e a única capital brasileira identificada nessa situação. Os investimentos foram realizados em dezembro de 2023 e maio de 2024 por meio de Letras Financeiras que não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Na ação, Renan sustenta que houve falhas no processo de aprovação das aplicações e questiona a exposição dos recursos da previdência municipal a uma instituição que posteriormente entrou em colapso.

Além de JHC, figuram entre os alvos da ação o ex-presidente do Iprev, Ronnie Reyner, integrantes do Comitê de Investimentos, a consultoria Crédito & Mercado, responsável pela recomendação das aplicações, o Banco Master e seus sócios Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima.
O senador também solicitou o bloqueio cautelar de bens dos envolvidos até o limite de R$ 117 milhões. Ao final do processo, busca o ressarcimento integral dos valores investidos, acrescidos de correção monetária e juros, com o objetivo de garantir a recomposição do patrimônio previdenciário e evitar prejuízos aos aposentados e pensionistas de Maceió.




