Lula saiu do primeiro turno com 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro e terminou a disputa com 4,4 milhões de votos a mais. Como explicar uma virada de aproximadamente 6,7 milhões de votos na diferença entre os dois candidatos?
Uma análise da Solon.data, desenvolvida em conjunto com o cientista político Jairo Nicolau, investiga os números da eleição e aponta indícios de que a redução da abstenção e dos votos brancos e nulos não foi suficiente para explicar o resultado. A transferência de votos entre candidatos também pode ter contribuído para a vitória de Lula.
Os votos brancos e nulos caíram 1,8 milhão, enquanto a abstenção diminuiu quase 3 milhões. Juntos, esses números representam cerca de 4,8 milhões de eleitores. Mesmo que todos tivessem votado em Lula, ainda faltariam aproximadamente 1,9 milhão de votos para explicar a mudança na diferença entre os candidatos.
Para aprofundar a análise, a Solon.data comparou os resultados dos dois turnos nas 5.570 cidades brasileiras, utilizando a chamada inferência ecológica, método estatístico que permite estimar possíveis mudanças no comportamento eleitoral a partir de dados agregados.
O levantamento identificou 938 municípios nos quais Flávio Bolsonaro recebeu menos votos no segundo turno do que no primeiro. Em outros 557 municípios, onde os demais candidatos haviam somado apenas 3% dos votos, Lula avançou 3,6 pontos percentuais, enquanto Flávio recuou meio ponto.
Os resultados não permitem identificar individualmente quem mudou de candidato, já que o voto é secreto. No entanto, segundo a análise, os dados apresentam sinais compatíveis com a hipótese de que parte dos eleitores de Flávio tenha migrado para Lula.
No VÏDEO (assista), a Solon.data apresenta os cálculos e os dados por município que ajudam a compreender os fatores por trás da virada eleitoral.




