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O Bar do Pisca

Vamos prá Maceió, vamos pegar o ônibus lá no Bar do Pisca!

Durante algum tempo, quando alguém queria se deslocar até a capital do estado, a bonita Maceió, e não possuía transporte próprio, tinha que ir até a praça Marques da Silva (que já tinha sido Durval de Gois Monteiro e Gabino Besouro), dirigir-se ao Bar do Pisca, comprar a passagem, e conversar com o vizinho de assento.

Mas, quem era o Pisca?

Chamava-se José Pedro dos Santos, homem atarracado, com grossos óculos, sempre alegre e que além de comercializar todo tipo de bebida, era quem vendia as passagens para a capital de Alagoas. De início, a linha de ônibus era atendida pelo Expresso Dois Irmãos, de propriedade de José Dias de Araújo, conhecido como “Bigodero”. Veio após o Expresso Arapiraquense, de Florisvaldo Magalhães, com dois ônibus – um Chevrolet para 24 passageiros e um mais moderno, Mercedes Benz, para 40 passageiros, com carroceria Cermava.

Cedinho, aí pelas 4,00 horas da manhã, estrelas no firmamento, as pessoas iam chegando para viajar. Atendidas pelo Pisca, alguns aproveitavam para beber café coado na hora e se abrigar dos fins das noites fria de Arapiraca. O Bar do Pisca ficava do outro lado da igreja de São Sebastião, esquina com a praça Bom Conselho.

Depois de cinco horas por estrada de barro, solavanco devido aos buracos, passando pelo rio Poção (o Coruripe), pela vizinha Cana Brava (hoje Taquarana), desviar-se até a estrada asfaltada que vinha de Palmeira dos Índios, passando por Canudos (que hoje chamam de Belém), por Maribondo, por Porangaba, Atalaia até a chegada em Maceió e parar em frente ao Hotel Bela Vista, na praça dos Palmares.

Depois de um quase um dia de compras no comércio da capital, a volta sempre era a partir das 16,00 horas, percorrendo todo o caminho novamente: parte no asfalto, parte em estrada de barro, com buracos e tudo.

Durou somente dois anos as viagens daqueles ônibus; não conseguindo conviver com a concorrência, o Expresso Arapiraquense foi vendido a empresa Penedense, que, deixando o Bar do Pisca como saída e chegada dos ônibus, passou a ter ponto na rua Estudante José de Oliveira Leite, pertinho da residência do professor Pedro de França Reys, tendo como gerente o Tonho da Penedense.

O Bar do Pisca ficou sendo só uma lembrança das muitas ao redor da praça.

*Jornalista

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