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Monsenhor Epitácio Rodrigues

Não foi morador da praça Marques da Silva. Aliás, não foi arapiraquense de nascimento, mas hoje, e sempre, permanece aqui sepultado na igreja de São Sebastião. Os arapiraquenses tinham grande afeto por ele, homem religioso, animal político sem ser partidário.

Estou a lembrar da figura do padre Epitácio Rodrigues, aliás cônego, aliás monsenhor. Nascido em Lagoa da Canoa em 1905 e já em 1918 começou seus estudos em Arapiraca com a professora Antônia Macedo.

Desde cedo, para alegria de seus pais, resolveu estudar no seminário para seguir a “carreira” de Cristo. Em 1931, já sacerdote, foi designado para a Paróquia de Major Isidoro e Cacimbinhas, onde ficou de 1932 a 1935; ainda neste ano, foi ser vigário de Limoeiro de Anadia, que atendia também Arapiraca.

O padre Epitácio Rodrigues era um empreendedor: já em 1939, reuniu-se com os católicos arapiraquenses, e partiu para construir uma nova igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho. A igreja, que tinha duas torres, infelizmente desabaram. Isto em 1944.

No mesmo ano, em 15 de agosto, o bispo diocesano Dom Fernando Gomes criou a freguesia de Arapiraca, nomeando o padre Epitácio Rodrigues o primeiro vigário. A partir de sua nomeação, o padre resolveu com a comunidade reconstruir a igreja, que demorou um ano para terminá-la.

Afora a igreja principal, construiu capelas na Lagoa do Rancho, Rio Morto, Craíbas, Canaã (Lagoa dos Veados). Irrequieto, fez uma viagem a São Paulo onde comprou quatro cadeiras de barbeiro para oferecer trabalho a pobres arapiraquenses.

Foi o primeiro a tentar, e conseguir, reunir arapiraquenses para erguer uma escola ginasial, quando foi fundado o Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho, cujo primeiro diretor foi o jovem Claudenor de Albuquerque Lima.

Padre Epitácio não cuidava somente das coisas da igreja, como diziam seus amigos, que eram muitos. Sempre aceitou se unir a outros em prol do município: assim, fez parte da sociedade que fundou a Rádio Novo Nordeste; criou a Banda de Música do Bom Conselho; recebia políticos de várias matizes partidárias (o historiador Valdemar de Oliveira disse dele: “Sempre que um governador do estado vinha até Arapiraca uma das primeiras casas a procurar era a do padre Epitácio, tanto por motivos políticos como por saber do seu interesse pelo lugar”).

Durante os 60 anos de convivência em Arapiraca como vigário e religioso, e que se encontra aqui em sua última morada na igrejinha da praça Marques da Silva, o padre Epitácio foi contemporâneo de interventores e governadores estaduais, a saber:

  • – Osman Loureiro de Farias, de 1934 a 1941;
  • – Ismar de Gois Monteiro, de 1941 a 1945;
  • – Edgar de Gois Monteiro, em 1945;
  • – Antônio Guedes de Miranda, de 1945 a 1947;
  • – Silvestre Péricles de Gois Monteiro, de1947/1950;
  • – Arnon Afonso de Mello, de 1951 a 1956;
  • – Sebastião Muniz Falcão, de 1956 a 1960;
  • – Luís Cavalcante, de 1960 a 1961 a 1966;
  • – João Batista Tubino, em 1966;
  • – Antônio Lamenha Filho, de 1966 a 1971;
  • – Afrânio Lages, de 1971 a 1975;
  • – Divaldo Suruagy, de 1975 a 1978; – Geraldo Melo, de 1978 a 1979;
  • – Guilherme Palmeira, de 1979 a 1982;
  • – Theobaldo Barbosa, de 1982 a 1983;
  • – Divaldo Suruagy, de 1983 a 1986;
  • – José Tavares, 1983;
  • – Fernando Color de Mello, de 1987 a 1989;
  • – Moacir Andrade, de 1989 a 1991;
  • – Geraldo Bulhões Barros, de 1991 a 1994.

Nem sempre foi alegria a vida do padre Epitácio Rodrigues em sua passagem terrena por Arapiraca. Durante alguns anos, com a importante ajuda do povo e do monsenhor José Soares construiu uma nova matriz no Largo Dom Fernando, ampla, moderna. Isto em 1985. Seu ideário era transformar a freguesia de Arapiraca em Diocese.

Não conseguiu.

Acrescentaram o título de Concatedral de Nossa Senhora do Bom Conselho à nova igreja.

Triste, mesmo sem demonstrar, preferiu que minha casa também fosse sua casa. Abrigo do corpo inerte.

*Jornalista

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