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Janones leva estratégia da campanha de Lula à Argentina

Deputado brasileiro discute articulação internacional contra a extrema direita e compartilha experiências da campanha que reelegeu Lula. Vitória do petista inspira setores progressistas argentinos na preparação para enfrentar Javier Milei em 2027.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras já começa a produzir reflexos no cenário político internacional. Nesta segunda-feira (2), o deputado federal André Janones (Rede-MG), um dos principais articuladores da campanha digital que contribuiu para a reeleição do presidente brasileiro, esteve em Buenos Aires, onde se reuniu com duas importantes lideranças da oposição argentina: a ex-presidente Cristina Kirchner e o ex-ministro da Economia Sergio Massa.

O objetivo das conversas foi compartilhar experiências e estratégias de mobilização política, especialmente nas redes sociais, que tiveram papel de destaque na campanha brasileira. A expectativa dos interlocutores argentinos é aproveitar esse aprendizado na construção de uma frente capaz de derrotar o presidente ultraliberal Javier Milei nas eleições de 2027.

Ao deixar o apartamento de Cristina Kirchner, onde a ex-presidente cumpre prisão domiciliar em decorrência de uma condenação por corrupção, Janones resumiu o propósito de sua agenda em uma declaração de forte conteúdo político.

“Nosso objetivo é um só: varrer a extrema direita do cenário mundial”, afirmou o parlamentar.

A conversa com Cristina Kirchner durou quase duas horas.

Janones afirmou ter ficado surpreso com o interesse demonstrado pela ex-presidente em compreender como a campanha de Lula conseguiu alcançar tamanha mobilização nas plataformas digitais durante o processo eleitoral.

Segundo o deputado, Cristina procurou entender os mecanismos utilizados para ampliar o alcance das mensagens, organizar apoiadores e fortalecer a presença da militância nas redes sociais.

A ex-presidente argentina está atualmente impedida de disputar eleições em razão de sua condenação, que resultou em sua inabilitação perpétua para exercer cargos públicos. Mesmo assim, continua sendo uma das figuras mais influentes do campo progressista no país e não descarta voltar à disputa política caso consiga recuperar seus direitos.

Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo The Washington Post, Cristina deixou aberta essa possibilidade: “Quando eu recuperar os meus direitos políticos, por que não?”, respondeu ao ser questionada sobre uma eventual candidatura.

Sergio Massa também quer conhecer o modelo brasileiro

Antes de visitar Cristina, Janones esteve com Sergio Massa, ex-ministro da Economia e principal adversário de Milei no segundo turno das eleições presidenciais de 2023.

O encontro, realizado no bairro da Recoleta, durou aproximadamente uma hora. De acordo com o parlamentar brasileiro, a intenção foi apresentar experiências e técnicas de comunicação política que possam contribuir para a organização da oposição argentina.

Massa perdeu a disputa presidencial de 2023 para Milei, que venceu com 55,7% dos votos. Agora, aparece novamente entre os possíveis nomes para enfrentar o atual presidente em outubro de 2027.

Janones permanece em Buenos Aires pelo menos até terça-feira (3). O interesse em sua visita também alcançou outros setores da oposição: o deputado Pablo Juliano, da União Cívica Radical, tentava viabilizar uma reunião com o brasileiro.

Exército do Lula inspira mobilização na Argentina

A experiência brasileira ultrapassou as fronteiras e passou a servir de referência para setores progressistas de diferentes países. Na Argentina, canais de WhatsApp ligados à esquerda começaram a surgir depois da vitória de Lula, numa tentativa de reproduzir a mobilização digital que marcou a campanha do petista.

O chamado Exército do Lula, organizado por Janones, tornou-se uma das principais referências dessa estratégia de comunicação e engajamento popular.

Para o deputado, uma eventual derrota de Milei teria significado semelhante ao resultado brasileiro e demonstraria que o avanço progressista não foi um episódio isolado.

“Derrotar o Milei aqui no próximo ano vai ter um significado muito semelhante com o que teve no Brasil, e acho que vai ser um teste de fogo para mostrar que o caso do Brasil não foi isolado. Vencer aqui na Argentina vai mostrar que não foi um golpe de sorte. Iniciou-se um levante do campo progressista contra a extrema direita”, declarou.

Fonte: Folha de S.Paulo

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