Desde o dia 18 de junho, a vacina Pneumo 20 passou a ser disponibilizada em todos os 102 municípios de Alagoas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O novo imunizante será destinado a crianças e grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, ampliando a proteção contra doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por infecções graves como pneumonia, meningite, otite e septicemia.
A vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumocócica, oferecendo uma cobertura mais ampla do que as versões anteriormente utilizadas na rede pública. A expectativa é reduzir casos graves da doença, internações, sequelas e mortes associadas às infecções pneumocócicas.
O público contemplado inclui todas as crianças de até 5 anos de idade, indígenas maiores de 5 anos sem histórico de vacinação com imunizantes pneumocócicos conjugados, idosos acamados ou institucionalizados com 60 anos ou mais e pessoas com condições clínicas especiais atendidas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Segundo a assessora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em Alagoas, a enfermeira Rafaela Siqueira, a incorporação da Pneumo 20 ao SUS representa um avanço importante para a saúde pública. Ela destaca que a vacina, que pode custar cerca de R$ 500 na rede privada, amplia a proteção contra os sorotipos mais associados às formas invasivas da doença, especialmente os tipos 3, 6A e 19A.
“A nova vacina amplia a proteção imunológica contra os sorotipos que mais causam pneumonia invasiva e oferece uma cobertura mais abrangente em relação às formulações anteriores. Além disso, atua na prevenção da otite média, condição que pode levar à perda auditiva e, em casos mais graves, evoluir para infecções generalizadas”, explicou.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por enfermidades preveníveis por vacinação. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados cerca de 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e aproximadamente 1,4 mil óbitos, resultando em uma taxa de letalidade superior a 30%.
Entre crianças menores de cinco anos, foram contabilizados 616 casos e 188 mortes no mesmo período, cenário que reforça a importância da ampliação da cobertura vacinal e do acesso a imunizantes mais modernos.
A Pneumo 20 teve seu registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro de 2023. Embora tenha começado a ser aplicada na rede privada em 2025, o alto custo restringia o acesso da maior parte da população. Com a incorporação ao SUS, a vacina passa a ser ofertada gratuitamente, ampliando o acesso à proteção contra doenças potencialmente fatais.
Transição para o novo esquema vacinal
Atualmente, o SUS utiliza as vacinas Pneumo 10, Pneumo 13 e a Polissacarídica 23 em suas estratégias de imunização contra doenças pneumocócicas. Com a chegada da Pneumo 20, o Ministério da Saúde iniciou uma transição gradual para substituir os imunizantes atualmente empregados, ampliando a cobertura contra um número maior de sorotipos da bactéria.
Durante esse período, o esquema vacinal infantil seguirá um modelo específico: uma dose da Pneumo 20 aos dois meses de idade, uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda aplicação e o reforço.
As vacinas Pneumo 13 e Polissacarídica 23 continuarão sendo utilizadas em estratégias específicas até a conclusão da transição e o esgotamento dos estoques disponíveis.




