Ainda quando da construção da igreja de São Sebastião, lá no início do século XX, a região de Arapiraca sofria com a falta de água potável; aliás, água tinha, mas não em abundância e salobra. E mais, a depender da localidade, a água não se prestava para o consumo humano. Por exemplo: poços existentes às margens do riacho Piaui a água era boa; água da localidade das Cacimbas (o nome já é sugestivo) às margens do rio Perucaba havia muita água e de boa qualidade. Ao redor do povoado, contudo, a água era escassa e salobra.
Na rua Nova, retângulo onde estava sendo construída a igreja da promessa, aparentava, porém, ser diferente, visto as inúmeras árvores de grande porte ali crescidas.
Vou explicar melhor.
Em frente a residência de Tibúrcio Valeriano, um dos inúmeros netos do fundador Manoel André Correia dos Santos, tinha um pé de Jenipapo enorme; no terreno de Zeferino Magalhães floria um Pau-d’Arco, pertinho da construção orientada pelo pedreiro e mestre de obra Antônio Marroquim. Ora, se havia árvores de grande porte, certamente no subsolo teria um lençol de água.
Muitas árvores, algumas de grande porte, muito verde, sinal de vida. E água é vida!
Poucos moravam na rua Nova. Depois, algum tempo depois, surgiu o relato de que um padre, de nome João Maria, passando pelo local e ouvindo queixa de que a água ali era escassa, mandou que cavassem um poço no centro do retângulo, perto da construção, que certamente encontrariam o líquido.
E assim foi feito.
Zeferino escolheu o centro da rua Nova e mandou que cavassem um poço. Resultado: água abundante e boa de beber.
Durante muito tempo, isto é, até quando surgiu a água potável trazida do rio São Francisco, em 1973, a cacimba da rua Nova abastecia muita gente. Existiu desde quando a rua era Nova, passando a ser praças Durval de Gois Monteiro, Gabino Besouro e Marques da Silva. Algum tempo depois, no governo municipal de Manoel Leal (do PSD, que governou o município de 27/02/1941 a 02/02/194, e que foi nomeado pelo interventor de Alagoas Ismar de Gois Monteiro), uma coberta foi construída para abrigar a cacimba
*Jornalista
*Este texto reflete a visão pessoal do autor.




