A história do nordeste brasileiro, escrita com a riqueza inspiradora do seu cancioneiro popular, nos mostra a alma de um povo alegre, festeiro, lutador, forte, capaz de transformar o braseiro das fogueiras de São João em piso dançante com pés descalços.
Fascina e envaidece ser nordestino e conhecer a bravura do seu povo, sua solidariedade, sua forma lhanesca e acolhedora, sua resistência às adversidades climáticas que estorricam a terra, sem perder a fé inabalável em Deus.
Doutro lado, entristece ver seu sofrimento, ver o espectro da morte entrando nas casas sem pedir licença e se apresentando com o nome de fome e sede.
Tangidos de casa pelo bafo da morte, milhares de famílias nordestinas, fugindo da seca de 1970, aportaram na cidade em busca de comida e de água que lhes salvassem a vida. Não lhes importava o preço, custasse o valor material ou moral, nada importava. O valor maior era a vida que tinha de ser preservada.
Assim, invadiram Arapiraca. Grupos de pessoas magras e sem roupa no couro, saqueavam armazéns de cereais, repartições públicas eram invadidas, trincheiras de pessoas esqueléticas e famintas eram feitas em frente a bancos; as casas de residência ficavam em permanente alerta e vigilância ante a possibilidade de invasão e saque.
A cidade se inquietava com a insegurança. O saudoso João Batista Pereira da Silva, então prefeito da cidade, entrou em desespero. Nada podia fazer. O Município era impotente para solucionar a grave situação social.
Na mais profunda sensibilidade do seu eu interior, João Batista minimizou a fome dos retirantes dando-lhes bolsões de comida. Dessa forma aplacou as investidas saqueadoras, diminuíram as invasões até que a chuva refloriu as esperanças daquele povo magro e nu. Retornaram para seus lugares no primeiro som do cantar da ASA Branca, como tão bem descreveu o saudoso e eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga.
Mas, foi do aspecto físico, couro e osso, barriga colada na espinha dorsal, dos olhos vazados pela fome que nasceu o batismo de MAGRENUS para denominar aquele povo sofrido estqava magro e nu.
O clima, contudo, não se apiedou do nordeste. Vieram outras grandes e devastadoras secas nesta região. É bem mais extensa do que a de 1970. Bem mais grave em razão do crescimento demográfico. Mais pessoas precisam de alimentos, precisam de socorro emergente.
Apesar de essa seca trazer a mesma natureza de tantas outras que forçaram o homem buscar sua sobrevivência a qualquer custo para que a morte não lhe humilhe tanto pela fome, os Programas Sociais do Governo Federal tem evitado esse sentimento mórbido de impotência causado pela mamãe natureza, sempre rebelde com o nordeste.

Assim, não temos mais levas de Magrenus invadindo, saqueando para afastar a morte pela fome que tanto humilha e retira do homem a essência de pessoa.
BOLSA FAMÍLIA
Esse programa tem sido o barco salvador de importantes seguimentos sociais.
Bodegas, pequenos supermercados, indústria de fumo picotado, bancas de peixe e de carne e outros vendem sua mercadoria e recebem o pagamento dos beneficiários do bolsa família.
É ilusão ou sonho pensar que a elite do dinheiro faz compras nesses pequenos estabelecimentos comerciais ou industriais. Ela não toma conhecimento de sua existência porque seus carrinhos são enchidos em supermercados pomposos, glamorosos, e de iluminação atraente.
O TRÁGICO
Esse é um programa do governo federal de natureza emergente que leva dignidade a criatura humana que vive sem emprego, sem renda e sem comida.
Todavia, muitos comerciantes e industriais desses pequenos negócios vivem a criticar sua fonte de renda comercial, como se fossem do alto escalão financeiro do país.
Sabido durante todo trajeto político que certo candidato à Presidência da República é um ácido crítico a esse programa social com declarações de extinguir esse programa. Esses comerciantes defendem o voto para eleição desse candidato fazendo lembrar da festa da barata pela criação do inseticida.
*Este texto reflete a visão pessoal do autor.




