Ministro reage depois de Mendonça afirmar, durante sessão do STF, que não há elementos contra o procurador-geral da República no caso Banco MasterO embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça nesta terça-feira (15) expôs uma nova frente de tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). O confronto ocorreu depois que Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master, afirmou durante a sessão que não havia elementos contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A declaração provocou reação imediata de Gilmar. O decano questionou a postura de Mendonça diante de manifestações e providências anteriores envolvendo Gonet e sua suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master.Na avaliação de Gilmar, a mudança de posição justificava uma reação contundente. O ministro acusou Mendonça de agir com “leviandade” e classificou como “desfaçatez” a forma como o colega vinha tratando o caso.
Gilmar também saiu em defesa da atuação de Gonet e afirmou considerar grave que um procurador-geral da República fosse alvo de ilações sem elementos que as sustentassem.
“É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade”, afirmou Gilmar durante a sessão.
Na sequência, o ministro criticou o que chamou de postura “policialesca” de Mendonça na condução do caso e disparou:
“É impressionante a desfaçatez desse sujeito”.
Mendonça reagiu imediatamente e devolveu a acusação.“A desfaçatez de Vossa Excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!”, respondeu.
O confronto subiu de tom quando Gilmar provocou: “Pode chorar, pode chorar”.
Mendonça rebateu: “Não estou chorando não. Aqui não tem choro não. Respeite!”.
Gonet nega relação com Vorcaro
O episódio ocorreu depois de Paulo Gonet se manifestar sobre sua relação com Daniel Vorcaro. O procurador-geral afirmou que teve apenas um encontro com o empresário e negou qualquer relação que pudesse sustentar suspeitas de proximidade indevida.
A discussão ganhou peso porque o nome de Gonet havia aparecido no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master. A sessão desta terça-feira, porém, registrou a manifestação de Mendonça de que não havia elementos contra o procurador-geral.
Foi nesse ponto que Gilmar concentrou sua crítica, questionando a diferença entre as referências anteriores ao caso e a posição apresentada por Mendonça no plenário.
Dino pede vista após bate-boca
A tensão no plenário aumentou ainda mais depois do confronto entre os dois ministros. Flávio Dino pediu vista do julgamento e cobrou providências do presidente do STF, Edson Fachin, diante do episódio.
Dino também mencionou mensagens encontradas no celular de Vorcaro que fariam referência a integrantes da Corte.
A intervenção provocou outro momento de tensão. Luiz Fux afirmou que não havia mensagens relacionadas a ele.
“Mensagem comigo não tem”, declarou Fux.
Dino respondeu: “Tem, ministro Fux. Tem”.
Fux insistiu que nunca havia encontrado Vorcaro e questionou a origem das informações. Dino afirmou, então, que o ministro teria de prestar esclarecimentos em momento próprio.




