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Vizinhos só reagiram após grito de “fogo”, relata mulher que ajudou vítima de tentativa de estupro em Barueri

A tentativa de estupro sofrida pela nutricionista Jéssica Soares, de 35 anos, dentro do próprio apartamento em Barueri, na Grande São Paulo, voltou a repercutir neste fim de semana após Dini Perez revelar detalhes dos momentos dramáticos que antecederam o socorro à vítima. Segundo a moradora, os demais vizinhos só apareceram depois que ela começou a gritar “fogo” pelo corredor do edifício.

Em vídeo publicado neste domingo (7), Dini relatou que Jéssica conseguiu escapar do agressor após uma intensa luta dentro do apartamento, mas continuou correndo perigo mesmo depois de deixar o imóvel. A nutricionista percorreu o corredor do prédio batendo nas portas e pedindo ajuda, sem receber resposta imediata dos moradores.

De acordo com o relato, Dini estava em casa quando ouviu a movimentação. Ao abrir a porta, encontrou uma cena de violência extrema. Segundo ela, o suspeito estava sobre Jéssica e tentava sufocá-la.

A moradora afirmou que conseguiu afastar o homem da vítima e, diante da falta de reação dos demais moradores, decidiu gritar “fogo” para chamar atenção. Somente após os gritos, outros vizinhos deixaram seus apartamentos e passaram a acompanhar a ocorrência.

Em seu depoimento, Dini também questionou a falta de reação inicial das pessoas diante dos pedidos de socorro e fez um apelo para que situações semelhantes não sejam ignoradas.

O crime aconteceu na manhã de 23 de maio em um condomínio de alto padrão de Barueri. Segundo a investigação, Wellington de Oliveira Santos, de 36 anos, entrou no residencial aproveitando a saída de um morador. Imagens de segurança mostram que ele conseguiu acessar o prédio e chegar ao apartamento da vítima sem ser impedido.

Jéssica dormia quando o invasor entrou no imóvel. A nutricionista relatou que inicialmente acreditou se tratar do namorado, mas logo percebeu que era um desconhecido. A partir daí, começou uma luta que durou cerca de 13 minutos.

Praticante de boxe, muay thai, jiu-jítsu e defesa pessoal, ela utilizou técnicas aprendidas nos treinamentos para resistir à agressão. Mesmo ferida, conseguiu escapar do apartamento e buscar ajuda nos corredores do edifício.

O suspeito foi contido por moradores e preso em flagrante. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva.

O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio. A Polícia Civil ainda apura a motivação do crime, se a vítima foi monitorada previamente e se existem outras possíveis vítimas.

A prisão também trouxe à tona o histórico criminal de Wellington. Ele foi condenado em 2017 a 11 anos e quatro meses de prisão por estupro, roubo com uso de arma, restrição da liberdade da vítima, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Em 2021, obteve livramento condicional. O histórico ainda inclui um caso de violência doméstica registrado em 2025, que resultou na concessão de medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha.

O relato de Dini Perez acrescenta um novo olhar sobre os momentos que antecederam a prisão do suspeito e reforça um debate que ganhou força após o caso: a importância de agir diante de pedidos de socorro e situações de violência contra mulheres.

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