O Ministério da Saúde determinou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (8) após a identificação de 42 ocorrências consideradas graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas em todo o país.
Entre os casos em investigação estão duas mortes e outro episódio grave. As autoridades sanitárias ressaltam que ainda não há comprovação de que os eventos tenham sido causados pela vacina, mas decidiram interromper a aplicação como medida preventiva enquanto análises adicionais são realizadas.
Segundo dados apresentados pela pasta, os 42 casos representam aproximadamente 0,008% do total de imunizados até o fim de maio. A maior parte das doses foi aplicada em profissionais da saúde, que somam cerca de 417 mil vacinados. Outras 83,6 mil pessoas receberam a vacina em municípios participantes da estratégia de implementação, como Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e localidades da região de Araguaína (TO).
De acordo com o ministério, não foram registrados eventos adversos graves entre os moradores dessas áreas.
Orientação para quem recebeu a vacina
A recomendação do governo federal é que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento e observação de possíveis reações.
As autoridades alertam para a necessidade de atenção a sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e agravamento do estado geral de saúde.
Caso qualquer um desses sinais apareça, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente.
Mais de 3,7 mil notificações foram registradas
O levantamento do Ministério da Saúde aponta que, entre os cerca de 500 mil vacinados, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos. O número corresponde a aproximadamente 0,7% do público imunizado.
Grande parte dessas ocorrências envolveu manifestações semelhantes às observadas em casos de dengue. Apenas 42 registros apresentaram sinais de alarme e foram classificados como graves.
Monitoramento será ampliado
A partir desta terça-feira (9), a rede de vigilância epidemiológica passará a intensificar o monitoramento de pacientes que desenvolverem dengue após vacinação recente, casos que apresentem sinais de agravamento e também eventuais óbitos.
A estratégia prevê acompanhamento por lotes de vacina, unidades de saúde e regiões específicas, com o objetivo de identificar possíveis padrões e esclarecer se existe alguma associação entre os eventos observados e a imunização.
Proteção continua válida
Apesar da interrupção temporária, o Ministério da Saúde afirma que a eficácia do imunizante não foi colocada em dúvida. A avaliação atual busca compreender melhor o comportamento da vacina em diferentes grupos populacionais e cenários epidemiológicos.
Os especialistas reforçam que as pessoas já vacinadas permanecem protegidas contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
Casos graves não apareceram nos estudos iniciais
Os episódios classificados como graves não haviam sido observados durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante.
As pesquisas envolveram cerca de 16 mil voluntários e serviram de base para comprovar a segurança e a eficácia da vacina, cujos resultados foram publicados em uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina tornou-se um marco para a saúde pública ao ser a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo administrada em dose única.
Em nota, o Butantan informou que seguirá as determinações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, colaborando com as investigações e com a reavaliação da estratégia de vacinação até que novas conclusões sejam alcançadas.




