O vereador Rui Palmeira voltou a criticar, nesta terça-feira (26), os investimentos realizados pelo Iprev Maceió em títulos ligados ao Banco Master e ao Banco Daycoval. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que as operações financeiras provocaram prejuízos milionários ao instituto previdenciário do município e classificou a condução dos recursos públicos como “temerária e irresponsável”.
A principal crítica de Rui foi direcionada à velocidade com que novos aportes teriam sido aprovados pelo conselho responsável pelos investimentos. Segundo ele, uma reunião de apenas 52 minutos autorizou aplicações de cerca de R$ 50 milhões em títulos que o vereador chamou de “letras podres”.
“Um milhão de reais por minuto queimados pela Prefeitura de Maceió”, afirmou.
Durante a declaração, Rui Palmeira comparou o caso de Maceió à situação investigada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro envolvendo o Banco Master. Segundo o vereador, tanto o estado fluminense quanto a capital alagoana registraram perdas milionárias em operações ligadas à instituição financeira.
“O Rio de Janeiro foi o estado brasileiro que mais perdeu dinheiro no esquema do Banco Master. Maceió foi a cidade brasileira que mais aportou recursos nas letras podres do finado Banco Master”, declarou.
De acordo com Rui, as perdas acumuladas pelo Iprev em aplicações consideradas de alto risco chegam a R$ 168 milhões. O vereador afirmou ainda que o prejuízo atinge diretamente aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió.
“O rombo é gigantesco para aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió”, disse.
As declarações ocorreram no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros relacionados ao Banco Master. Entre os alvos da ação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
Segundo a investigação, a PF apura aportes de aproximadamente R$ 3,7 bilhões em recursos públicos do estado do Rio de Janeiro destinados ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro. O dinheiro teria sido transferido por meio do Rioprevidência, fundo responsável pela gestão dos benefícios de cerca de 235 mil aposentados e pensionistas fluminenses.
Ao todo, agentes federais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos mandados foi executado na residência de Cláudio Castro, localizada em uma cobertura na Península, condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A operação durou cerca de três horas, e os agentes deixaram o local levando dois celulares apreendidos.
Ao encerrar o pronunciamento, Rui Palmeira relacionou a operação da PF ao cenário político de Maceió e lançou um questionamento: “Hoje a Polícia Federal bateu na porta do ex-governador do Rio de Janeiro. Quem será o próximo?”.




